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Mobilização na Paulista

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Cerca de 40 mil professores da rede Estadual de ensino tomaram à Av. Paulista nesta sexta dia 12/03/2010

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O RODOANEL NA POLÍTICA DE EXPANSÃO METROPOLITANA: QUEM PAGA A CONTA?

Renato Arnaldo Tagnin

O Rodoanel é uma rodovia proposta pelo governo estadual, para
responder a problemas de congestionamento de veículos e de fluxos de
carga que atravessam a Região Metropolitana de São Paulo.
Como vem evoluindo a metrópole e quais poderão ser os efeitos dessa solução?
É freqüente ouvirmos comentários e lermos nos jornais que a ocupação
urbana aqui é caótica, irregular ou desenfreada. Dito assim parece um
problema sem causas ou responsáveis, portanto, fica impossível pensar
e agir para alterar essa situação. Procuremos analisar algumas pistas.
Depois do grande crescimento econômico e populacional, que durou até o
começo da década de 1980, a área urbana da metrópole continuou
crescendo, mostrando uma expansão que não se baseia no desenvolvimento
industrial, na oferta de empregos e nas grandes migrações do passado.
Ao se analisar os dados e os estudos feitos sobre o crescimento da
área ocupada e o adensamento populacional da metrópole, o que se
observa? Em primeiro lugar, a metrópole já não cresce tanto em termos
populacionais. Em segundo lugar, as áreas centrais, mesmo com todos os
prédios em construção estão com cada vez menos moradores, deixando sua
infra-estrutura em parte ociosa e, em contrapartida, as periferias não
param de se expandir. Em terceiro lugar, as periferias que crescem
seguem uma ordem e apresentam uma configuração homogênea; portanto,
não são “caóticas” ou “irregulares”.
Esse processo mostra uma lógica: todos querem morar bem e próximos de
tudo que interessa: emprego, infra-estrutura e equipamentos públicos,
creches, hospitais, meios de transporte de massa etc. Ocorre que, nos
locais onde existem essas condições básicas para se viver numa cidade
o preço dos imóveis sobe e quem não pode pagar e realmente precisa
dessas condições – a população mais pobre - tem de se afastar.
Afastar para onde? Para qualquer lugar, onde for possível sobreviver.
Quanto mais distante, precário, inseguro e desprovido de qualquer
assistência governamental ou amparo legal for esse lugar, mais barato
viver ali. Nesses locais, o jeito é buscar improvisar a moradia em
pedaços de lotes, divididos com outras pessoas e construí-la com
materiais precários, saneamento improvisado, sem acabamento, encostada
a outras, sem espaços suficientes para ventilação ou iluminação
adequadas, sobrando ruas ou passagens estreitas e sem condições de
acesso a caminhões de coleta de lixo, a bombeiros, ambulâncias,
dificultando até mesmo escapar em caso de incêndio, bastante provável,
também, pela precariedade das instalações de gás e eletricidade.
Penduradas em barrancos, ou na beira de córregos, cada uma dessas
moradias abriga várias famílias, com muitas crianças morando juntas,
muitas vezes rodeadas por esgoto e lixo.
Como se pode observar, essa situação é comum em toda a periferia e
nada tem de caótica ou irregular. Ao se ter contato com essa
realidade, fica difícil não se escandalizar e questionar a falta de
políticas, como a de habitação, transportes, mananciais etc. Será que
elas não existem?
Política é normalmente conceituada como o que um governo escolhe
fazer, ou ele escolhe não fazer e o resultado das duas atitudes.
Vamos, então, observar como essas escolhas e efeitos nos permitem
identificar quais são as políticas aqui praticadas pelos governos.
Ao privilegiarem melhorias em determinadas regiões, como nas áreas
centrais, sem se dedicarem a criar condições para que as populações
mais pobres permaneçam nessas áreas e se beneficiem dos investimentos,
os governos têm promovido a transferência de mais renda do setor
público (a nossa) para os proprietários dos imóveis melhor
localizados, que têm renda suficiente para mantê-los; resultado:
empurram os mais pobres para fora desses locais. Essa é uma das formas
pelas quais os governos têm continuado a concentrar a renda em pequena
parcela da população e promovido a conhecida exclusão social de grande
parte da população.
Infelizmente, como muitos estudos confirmam, a nossa região tem
ajudado o Brasil a ser um dos maiores campeões do mundo em exclusão
social e concentração de renda. Na medida em que outras oportunidades,
como a oferta de empregos, também se concentram nas áreas centrais,
fica mais fácil entender como a falta de perspectivas dignas permite à
criminalidade recrutar tantos jovens, aumentar os níveis de violência
na cidade e comprometer o futuro de todo o mundo.
Acontece que, além da mão de obra barata, que chegue com boa aparência
e pontualmente para trabalhar, quem mora nos locais privilegiados da
cidade precisa de outras coisas da periferia: água, qualidade do ar,
controle de enchentes, um clima mais equilibrado, produtos agrícolas,
lenha e carvão, areia e pedras para construção e locais para dar um
‘sumiço’ no lixo e nos esgotos.
As alternativas habitacionais para essa parcela da população pobre,
quando existem, também são oferecidas nesses locais distantes, porque
o investimento governamental na compra dos terrenos é menor. Uma vez
ocupados esses lugares, com muita pressão política legítima das
populações, algum nível de investimento em infra-estrutura pode ser
conseguido, ao longo do tempo. A partir daí, o processo de valorização
dos imóveis e expulsão dos que não podem pagar passa a ocorrer também
nessas periferias, alimentando a contínua busca de novos espaços
viáveis, por parte daqueles que não podem arcar com os benefícios.
Esses espaços “viáveis” são criados, em geral, com a retirada da
vegetação que sobrou fora da cidade, que ainda ajuda na produção e
preservação da água.
Anos atrás, pela sua raridade e importância, a faixa que ainda tinha
algum nível de vegetação em torno da metrópole, em boa parte já
considerada legalmente como de ‘proteção aos mananciais’, passou a ser
chamada ‘Cinturão Verde da Cidade de São Paulo’, ganhando o
reconhecimento internacional da UNESCO, como ‘Patrimônio da
Humanidade’. Aqui, infelizmente, além de alguns institutos de pesquisa
e organizações sociais que não têm meios para protegê-las, esse
patrimônio não é reconhecido pelos nossos governantes.
O resultado é que a política metropolitana tem utilizado a periferia
para esconder seus problemas, a sujeira que a região produz e as
populações que exclui. O pior é que, nela há áreas frágeis e de
importância fundamental, onde a vegetação protege locais sujeitos a
deslizamentos, segura a água que pioraria as inundações da cidade e
produz aquela que bebemos. Nessas áreas, os problemas estão alcançando
diretamente as represas, as nossas caixas d’água.
Vocês sabem como elas estão? É difícil conhecê-las sem se escandalizar
com o cheiro, com o que bóia e afunda ali. Há ainda o que proteger,
mas não por muito tempo!
As políticas governamentais vigentes estão claramente reforçando esse
processo de avanço, sem a imposição de qualquer controle. É como
construir um carro com um potente acelerador, sem equipá-lo com
volante ou freio!
Quando os governos escolhem o que vão gerir, em que gastar, que
serviços prestar, que obras fazer, onde e, principalmente, para quem
elas se destinarão eles determinam a maior parte dos movimentos de
valorização imobiliária que comandam a expansão, o adensamento, a
qualidade de vida e o desenvolvimento de uma região.
No caso da metrópole paulistana, a responsabilidade principal da sua
gestão tem sido do governo estadual, mesmo hoje em que há regulamentos
– ainda não aplicados aqui - que determinam uma maior democratização
dessa gestão.
Além de ser o responsável maior por essa política metropolitana de
expansão urbana, concentração de renda, exclusão social e degradação
ambiental, acima descrita, o governo estadual é o proponente e o
empreendedor do Rodoanel. O que uma coisa tem a ver com a outra?
Por falta de espaço, não trataremos aqui de todas as deficiências do
projeto, como é o caso dos precários levantamentos utilizados para
justificar a sua “demanda”, o simplório leque de opções estudado, sem
adequado debate (mais uma evidência da falta de democratização da
gestão metropolitana), além da crônica falta de investimentos em
transporte público, como atesta a pífia rede de trens e metrô.
De todas essas deficiências, e mesmo como resultado delas, aqui
interessa destacar que o Rodoanel vai ocupar as últimas áreas livres e
verdes da metrópole. Por quê?
É mais barato! Essa opção é coerente com a política já apontada, que
também não atribui valor algum à produção de água, ao controle de
enchentes, ao equilíbrio climático e ao controle da poluição que essas
áreas ainda realizam e que garantem alguma condição – cada vez mais
precária – de vida na metrópole.
A imprensa ajuda a tornar essas áreas baratas e a isentar os
governantes pela sua perda. Ultimamente, a abordagem mais freqüente
que lemos nos jornais é a de que “Chuva causa enchente” e que mais
obras serão necessárias. Quando falta água, é por que ‘não choveu’ e
tome aí mais obras; sempre com o nosso dinheiro, claro! Mesmo quando
pode ler jornais, a população não tem muitas perspectivas de avançar
no conhecimento, para sair dessas ‘arapucas’ e melhorar sua condição
de vida.
Na medida em que perdemos esse potencial de prevenir a falta de água e
as enchentes, pela destruição sucessiva das condições naturais que
fazem isso de graça, a brincadeira sai cara e o dinheiro,
curiosamente, beneficia os mesmos grupos – os que fazem as obras, os
que as inauguram e os que ainda poderão continuar morando nos locais
que as receberam.
Além de se constituir numa obra extensa e larga, o projeto do
Rodoanel, tal como está proposto, precisa de uma pista com pequenas
inclinações, para facilitar um grande volume de tráfego em alta
velocidade. Para isso, há duas opções: colocá-lo sobre viadutos, ou
apoiá-lo no solo, cortando e aterrando o terreno em todo o percurso,
principalmente nos mananciais, onde ele é mais acidentado. Por mais
cuidados que se tome, desmatar e aterrar esses locais acaba com suas
nascentes de água, permitindo que ali aconteça tudo, menos a produção
de água - função que define o que é um ‘manancial’.
Para assegurar que a obra não fará isso, seus promotores têm divulgado
que a engenharia de rodovias evoluiu muito e apresentam como prova
disso, a nova pista da Rodovia dos Imigrantes, que causou menores
impactos negativos que as obras tradicionais, por estar assentada
sobre túneis e viadutos, em quase todo o seu percurso. Ao concordarmos
que isso é uma evolução, criamos um problema para o governo, por esse
alegar que não há recursos para se fazer o Rodoanel desse jeito.
Impressiona essa forma de tratar a inteligência do eleitor e os
recursos do contribuinte...
Nada como a realidade para demolir os discursos. O trecho Oeste do
Rodoanel, já implantado, traz tudo o que precisamos saber sobre ele;
da falta de cuidados na construção, aos efeitos negativos de seu
funcionamento, coroados pela ausência total de controles
governamentais sobre a desobediência a normas técnicas na obra, a
falta de resolução dos problemas gerados e o descumprimento das
obrigações e responsabilidades sociais e ambientais, formalmente
assumidas por ocasião de seu licenciamento.
Farta documentação, preparada por moradores próximos, instituições de
pesquisa, organizações sociais, ambientalistas e alguns técnicos de
prefeituras registra esses problemas que permanecem, em sua maior
parte, sem solução.
A alegada “competência” da engenharia fica prejudicada por falhas
graves no projeto e na própria execução da pista, que sofreu
afundamentos e desbarrancamento de encostas por sondagens, projetos,
taludes e drenagens mal feitas, em vários trechos. Dessas deficiências
resultam acidentes, interrupções no tráfego do Rodoanel em si e das
rodovias interligadas, além de dificuldades de acesso a caminhões de
grande dimensão; justo a “clientela” utilizada para justificar a
necessidade do Rodoanel.
Da extensa lista de compromissos assumidos como condição da obra ser
permitida, poucas ações foram concluídas ou realizadas para reduzir os
impactos negativos da obra. Mesmo assim, ela foi licenciada e colocada
em funcionamento, evidenciando que o órgão ambiental responsável por
essas licenças, que é subordinado ao governo que realiza a obra, se
submeteu a ele e não à legislação que aplica aos demais cidadãos e
empreendedores.
Nesse contexto de falhas graves de engenharia, impactos negativos sem
solução, descumprimento de qualquer compromisso assumido ou exigência
legal e sem que órgãos responsáveis exerçam qualquer controle, a quem
podemos recorrer?
Isso é ainda mais grave se considerarmos que também houve o
compromisso formal interno ao próprio governo estadual, em 1997, entre
as secretarias de transportes, meio ambiente e transporte
metropolitano de seguir diretrizes na concepção e implantação do
Rodoanel. Essas diretrizes incluem a adoção de medidas necessárias ao
controle do maior impacto que essa obra pode ter: aumentar a
velocidade de ocupação de toda a periferia, incluindo os mananciais.
Este impacto é ocasionado pela melhoria das condições de acesso a
novas áreas, ainda desocupadas e protegidas, a partir de qualquer
ponto da cidade ou de fora dela, considerando a falta total de
controles e as políticas vigentes de ocupação.
Essas diretrizes, que incluíam a implantação de um parque contínuo,
nos dois lados, ao longo de toda a rodovia em sua passagem pelos
mananciais, não estão sendo obedecidas e, ainda, os “estudos”
contratados pelo empreendedor, para avaliar impactos descartaram
qualquer influência significativa do Rodoanel na expansão da cidade.
Essas conclusões contrariam outras avaliações e a própria realidade.
Já em 1997, empreendedores imobiliários anunciavam pela imprensa que a
superfície da cidade iria duplicar com o Rodoanel, considerando as
mudanças de centros atacadistas, de distribuição de mercadorias e de
indústrias, além da valorização de áreas periféricas para a
implantação de loteamentos de alto padrão. Apesar do próprio governo
se utilizar desses argumentos como vantagens da obra, o “estudo”
contratado conclui que isso não terá qualquer efeito no crescimento da
cidade. É impressionante: o fenômeno existe apenas se for para
“vender” a idéia do Rodoanel!
Ao mesmo tempo, a implantação do trecho Oeste foi mostrando o óbvio: a
ocupação das últimas áreas que ainda conservavam alguma vegetação
naquela região, piorando as condições de poluição do ar, das enchentes
e da falta d’água para o abastecimento, seja ali, como no conjunto da
região.
Agora, a mesma situação se repete nos mananciais do trecho sul e seus
efeitos também já podem ser sentidos, antes mesmo da implantação da
obra. Os negócios imobiliários estão aquecidos, os terrenos já
apresentam valorização e estão sendo comercializados, contando com o
acesso direto e indireto ao Rodoanel. Onde buscar essas evidências:
jornais, revistas, imobiliárias e população em geral, além da visita à
área.
Considerando que muita gente pobre foi empurrada para morar ali, essa
valorização vai provocar o mesmo movimento de sempre: afastar esses
moradores para lugares mais distantes e despreparados para recebê-los:
as últimas áreas que sobraram para produzir água. Como se pode ver,
essa política governamental de expansão metropolitana, aproveita-se
das obras, da falta de aplicação da lei, do desconhecimento da
população, da mídia e das forças do mercado para se viabilizar.
Dentre seus efeitos mais dramáticos para a cidade, está a perda da
capacidade de produção de água, que já é muito inferior à necessidade.
De acordo com os padrões que a ONU se utiliza para avaliar a
disponibilidade de água, na Região Metropolitana de São Paulo a
quantidade de água por habitante é mais de sete vezes pior à
classificação mais crítica. Mais da metade da água que consumimos aqui
vem de outras regiões, como a de Campinas (que está mais de três vezes
pior que a situação mais crítica na classificação da ONU), onde a
falta de água vem dificultando cada vez mais o desenvolvimento e o
saneamento de dezenas de municípios e milhões de pessoas.
Nesse contexto de escassez, produzir água aqui parece ser um bom
negócio. No entanto, mesmo que a legislação de proteção aos mananciais
preveja - há décadas - compensações aos municípios produtores, o
governo estadual também não aplica isso. O pouco que havia de recursos
no orçamento para as ações de “Compensação Financeira a Municípios”,
foi cortado pelo governo estadual para 2006 e o mesmo ocorreu com as
ações de “Desenvolvimento Sustentável”, destinadas a identificar
alternativas de geração de emprego e renda adequadas à preservação
ambiental no entorno das unidades de conservação.
Sem qualquer compensação pela água que produzem, nem alternativas
econômicas permitidas e incentivadas pelo governo estadual e, ainda,
recebendo continuamente os contingentes de excluídos do restante da
metrópole, a esses municípios periféricos resta driblar as restrições
legais (à urbanização, indústrias e demais atividades econômicas) da
proteção aos mananciais, para se sustentarem. Esta situação pode ser
considerada mais uma das sólidas bases da política de expansão
metropolitana.
Nesse contexto, qualquer obra ou investimento que lhes seja oferecido,
passa a ser fundamental e, em face do nível de carência em que se
encontram interessam, sobretudo, os benefícios de curto prazo. Efeitos
negativos para a metrópole, como a ocupação dos mananciais, não
preocupam a maioria desses municípios; ao contrário, já que isso pode
significar alguma perspectiva de sustento e desenvolvimento.
Por essas razões, ao serem chamados a se manifestar sobre os impactos
do Rodoanel, muito poucos municípios colocaram preocupações ou
exigências de compensações significativas pelos impactos negativos que
terão em relação a ele. Sem essas condições e não havendo exigências
maiores do órgão licenciador - subordinado ao governo que quer
realizar a obra e colher seus benefícios eleitorais no curto prazo -
poucas serão as chances de que sejam colocados controles, ou de que
haja cobrança de condições para a obra.
Um dos argumentos utilizados pelo empreendedor para justificar o
descumprimento dos compromissos do trecho Oeste foi a falta de
recursos. No caso do trecho Sul, já foi amplamente noticiado que, por
enquanto, há recursos para começar a obra, devendo o restante ser
buscado e resolvido mais adiante. Novamente, vejamos como estão os
compromissos quanto aos investimentos que deveriam acompanhar o
Rodoanel: os “Centros Logísticos Integrados” e o “Ferroanel” foram
esquecidos na proposta orçamentária do governo, apesar de terem sido
utilizados para justificar as condições da obra de resolver a questão
do transporte de cargas. Recomeçamos bem!
Quem já acompanhou obras desse tipo sabe que não há nada pior que
começar e parar, principalmente da forma que se anuncia, em várias
frentes ao mesmo tempo. A destruição da vegetação e a realização de
cortes e aterros para nivelar a estrada, abrem a possibilidade de
destruição ainda maior dos mananciais, pois a ação das chuvas intensas
daquela região, atingirá solos frágeis e de alta declividade, como são
os trechos a serem percorridos pelo Rodoanel, causando a destruição de
áreas ainda maiores, piorando os danos aos córregos e reservatórios.
Além da falta de água, a situação da região metropolitana é agravada
pela má qualidade daquela que já existe nos mananciais Guarapiranga e
Billings – situação da qual a população não tem sido informada pelas
autoridades responsáveis. As bacias desses reservatórios, ao serem
percorridas pelo trecho Sul do Rodoanel, sofrerão efeitos que
agravarão sua situação, podendo inviabilizar sua utilização. Isto
porque o tratamento dessas águas já demanda pesados e crescentes
investimentos na tentativa de torná-las potáveis, nem todos ainda
realizados.
Ainda que em nível insuficiente à necessidade, é nisto que o governo
tem investido: tentar melhorar o tratamento à medida que a qualidade
da água vai piorando, ou tentar sanear alguns bairros situados dentro
dos mananciais. Isto, depois que a ocupação avança e se consolida.
Coerentemente com a política metropolitana de expansão: nada de
prevenção!
Mesmo com essas tentativas atrasadas e muito inferiores à necessidade,
o governo corta os poucos recursos destinados a elas no seu orçamento,
como está ocorrendo para este ano de 2006.
Apesar da retórica de que as questões ambientais são importantes, a
realidade, as atitudes na viabilização do Rodoanel e os recursos nos
dão outro quadro: houve redução na participação, já inexpressiva, da
Secretaria do Meio Ambiente (de 0,56% para 0,51%) no orçamento do
Estado, implicando na redução ou manutenção de recursos irrisórios
para ações como as de “Controle Ambiental” e “Recuperação de Áreas
Degradadas”, entre outras.
Mesmo aprovadas na Lei de Diretrizes Orçamentárias, desapareceram da
proposta orçamentária do governo ações como a de “Controle de
Ocupações Irregulares em Áreas de Proteção e Recuperação de Mananciais
da Grande São Paulo”. Já os programas de “Planejamento e Gestão
Ambiental para o Desenvolvimento Regional Sustentado” e o de
“Saneamento Ambiental em Mananciais de Interesse Regional” tiveram
seus recursos reduzidos para menos da metade.
Tratando-se de resgate social àquelas comunidades sucessivamente
marginalizadas, também sofreram redução no orçamento para 2006 os
recursos que vinham sendo destinados a programas habitacionais como
“Morar Melhor”, “Atuação em Cortiços” e “Urbanização de Favelas e de
Núcleos Habitacionais”. Recursos também inexpressivos em relação à
demanda habitacional foram destinados para o Programa “Saneamento
Ambiental em Mananciais de Interesse Regional” e a ação “Mananciais do
Alto Tietê”.
Como enfrentar essas mazelas e proteger o que restou?
Há um longo caminho a ser percorrido, que deve começar, pela sua
urgência, em relação ao Rodoanel. Nesse sentido, deve ser exigido do
empreendedor – aqui entendido como a Dersa e o conjunto do governo
estadual - como condição básica para o licenciamento, as seguintes
providências:
1. Honrar compromissos assumidos anteriormente:
a. Reparar os passivos e cumprir o que foi acordado em relação ao trecho Oeste;
b. Cumprir as diretrizes que foram acordadas em 1997 entre as
Secretarias de Estado de Transportes, Meio Ambiente e Transportes
metropolitanos – que incluem o equacionamento de uma política
metropolitana, com os municípios atingidos, além do parque linear em
todo o percurso nos mananciais e não apenas no Município de São Paulo;
2. Adotar garantias adicionais ao cumprimento dos compromissos:
a. Antecipar as compensações e mitigações em relação às obras da rodovia em si;
b. Arcar, permanentemente, com os recursos necessários à manutenção
das áreas protegidas a serem criadas como compensação;
c. Criar comissão independente, integrada por um colegiado de
representantes da universidade e de ONGs para avaliar o andamento e o
cumprimento das exigências e medidas de caráter ambiental, que deverá
atestar esse cumprimento, periodicamente, como condição para a
liberação dos trechos de obra e das sucessivas licenças;
d. As ações de responsabilidade técnica no exercício da engenharia não
poderão ser consideradas como medidas de caráter ambiental e o seu
descumprimento deverá sujeitar os infratores, entre outras, a penas
limitadoras do exercício da profissão, devendo ser acompanhadas por
comissão específica;
e. A obra deverá ser concebida para, a exemplo da nova pista da
Rodovia dos Imigrantes, minimizar o apoio no solo, contando com obras
de arte, particularmente em função de dois fatores:
i. A fragilidade das áreas pelas quais deverá passar e;
ii. Porque essa obra da Imigrantes foi utilizada pelos promotores do
Rodoanel como exemplo de que a engenharia no país está desenvolvida o
suficiente para não causar impactos (se ela serve como argumento de
defesa, vamos aceitá-la).
3. Evitar os maiores impactos da obra:
a. Definir estratégia para reorientação da expansão urbana para fora
dos mananciais, indicando os responsáveis, prazos e custos articulados
às diferentes fases do Rodoanel; e
b. Viabilizar o programa de saneamento ambiental dos mananciais,
revisto para incluir como prioritárias em termos de prazo, alocação de
recursos e metas as ações preventivas à ocupação dos mananciais.
Essa relação de propostas deverá ser ampliada e melhorada para
constituir um ponto de partida. Resgatar a competência e a
credibilidade governamentais pressupõe um longo processo que incluirá,
necessariamente, a reorientação da atual política metropolitana, que
vem reduzindo as nossas perspectivas para o futuro.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Forasteiro Sem Paz

Ola hoje estou divulgando a participação do festival do 1 minuto do curta que fazendo parte
vejam o vídeo se puderem faça cadastro e vote no vídeo
mas so por assistir ja esta valendo
se assistir aqui no blog depois so da um clique no link abaixo para ajudar
ou copie o link e cole no navegador

http://www.festivaldominuto.com.br/templates/Player.aspx?contentId=12522&simpleText=forasteiro%20sem%20paz&related=[]

valeu
paz





domingo, 25 de abril de 2010

A BIBLIOTECA DIGITAL MUNDIAL DA UNESCO

PRESENTE DA UNESCO PARA A HUMANIDADE INTEIRA !!!! especialmente para OS JOVENS
Já está disponível na Internet, através do sítio www.wdl.org É uma notícia QUE NÃO SÓ VALE A PENA REENVIAR MAS SIM É UM DEVER ÉTICO, FAZÊ-LO!!

Reúne mapas, textos, fotos, gravações e filmes de todos os tempos e explica em sete idiomas as jóias e relíquias culturais de todas as bibliotecas do planeta.
Tem, sobre tudo, carácter patrimonial" , antecipou ontem em LA NACION Abdelaziz Abid, coordenador do projecto impulsionado pela UNESCO e outras 32 instituições.
A BDM não oferecerá documentos correntes , a não ser "com valor de património, que permitirão apreciar e conhecer melhor as culturas do mundo em idiomas diferentes: árabe, chinês, inglês, francês, russo, espanhol e português. Mas há documentos em linha em mais de 50 idiomas".


Entre os documentos mais antigos há alguns códices precolombianos, graças à contribuição do México, e os primeiros mapas da América, desenhados por Diego Gutiérrez para o rei de Espanha em 1562", explicou Abid.
Os tesouros incluem o Hyakumanto darani , um documento em japonês publicado no ano 764 e considerado o primeiro texto impresso da história; um relato dos azetecas que constitui a primeira menção do MeninoJesus no Novo Mundo; trabalhos de cientistas árabes desvelando o mistério da álgebra; ossos utilizados como oráculos e esteiras chinesas; a Bíblia de Gutenberg; antigas fotos latino-americanas da Biblioteca Nacional do Brasil e a célebre Bíblia do Diabo, do século XIII, da Biblioteca Nacional da Suécia

.

Fácil de navegar
Cada jóia da cultura universal aparece acompanhada de uma breve explicação do seu conteúdo e seu significado. . Os documentos foram escaneados e incorporados no seu idioma original, mas as explicações aparecem em sete línguas, entre elas O PORTUGUÊS
A biblioteca começa com 1200 documentos, mas foi pensada para receber um número ilimitado de textos, gravados, mapas, fotografias e ilustrações.

Como se acessa ao sítio global
Embora seja apresentado oficialmente hoje na sede da UNESCO , em Paris, a Biblioteca Digital Mundial já está disponível na Internet, através do sítio www.wdl.org .
O acesso é gratuito e os usuários podem ingressar directamente pela Web , sem necessidade dese registarem
Quando a gente faz clique sobre o endereço www.wdl.org , tem a sensação de tocar com as mãos a história universal do conhecimento. Permite ao internauta orientar a sua busca por épocas, zonas geográficas, tipo de documento e instituição. O sistema propõe as explicações em sete idiomas (árabe, chinês, inglês, francês, russo,espanhol e português). Os documentos, por sua parte, foram escaneados na sua língua original. Desse modo, é possível, por exemplo, estudar em detalhe o Evangelho de São Mateus traduzido em aleutiano pelo missionário russo Ioann Veniamiov, em 1840. Com um simples clique, podem-se passar as páginas de um livro, aproximar ou afastar os textos e movê-los em todos os sentidos. A excelente definição das imagens permite uma leitura cómoda e minuciosa.


Entre as jóias que contem no momento a BDM está a Declaração de Independência dos Estados Unidos, assim como as Constituições de numerosos países; um texto japonês do século XVI considerado a primeira impressão da história; o jornal de um estudioso veneziano que acompanhou Fernão de Magalhães na sua viagem ao redor do mundo; o original das "Fábulas" de Lafontaine, o primeiro livro publicado nas Filipinas em espanhol e tagalog, a Bíblia de Gutemberg, e umas pinturas rupestres africanas que datam de 8.000 A.C..

Duas regiões do mundo estão particularmente bem representadas: América Latina e Médio Oriente. Isso deve-se à activa participação da Biblioteca Nacional do Brasil, a biblioteca Alexandrina do Egipto e a Universidade Rei Abdulá da Arábia Saudita.

A estrutura da BDM foi decalcada do projecto de digitalização da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, que começou em 1991 e actualmente contém 11 milhões de documentos em linha.

Os seus responsáveis afirmam que a BDM está sobretudo destinada a investigadores, professores e alunos. Mas a importância que reveste esse sítio vai muito além da incitação ao estudo das novas gerações que vivem num mundo áudio-visual. Este projecto tampouco é um simples compêndio de história em linha: é a possibilidade de aceder, intimamente e sem limite de tempo, ao exemplar sem preço, inabordável, único, que cada um alguma vez sonhou conhecer.


link: http://www.wdl.org/pt/

quinta-feira, 15 de abril de 2010

II SEMINÁRIO DE ESTUDOS CRÍTICOS SOBRE EDUCAÇÃO

Saudações a todos!



O Jornal Brado Informativo, o Centro Acadêmico de Pedagogia do Ibilce

e o Grupo de Estudos Filosofia da Práxis,

tem a honra de convidar a todos para:



“II SEMINÁRIO DE ESTUDOS CRÍTICOS SOBRE EDUCAÇÃO”

Que terá como tema central:

“A situação dos professores na sociedade capitalista:

desafios, obrigações, limites e perspectivas”

Será realizado de 18 a 22 de maio de 2010

No Auditório “C” do IBILCE – UNESP de São José do Rio Preto/SP/Brasil



Informações e inscrições:

(Lembrando que as inscrições são para quem precisa de certificado de participação.

A entrada é aberta a toda população)



educritica@ig.com.br

www.bradoinformativo.blogspot.com

http://www.eventos.ibilce.unesp.br/secse/





(Abaixo cronograma completo do seminário)



I – Programação

II – Inscrição

III - Envio de resumos

IV – Certificado de Carga Horária

V – Sorteios

VI – Feira de Livros novos e usados



I – Programação



Terça, 18 de maio



18h30 às 20h Credenciamento

19h30h às 20h15 – Apresentação Grupo de Teatro Brado

Espetáculo: “Aos que virão depois de nós: é chegada a hora de tomar partido”

Adaptação de poemas de Bertolt Brecht e da obra Jesus Homem de Plínio Marcos

20h15 às 21h - Cerimônia de Abertura

Marcos Rodrigues, editor Jornal Brado Informativo

21h às 23h Conferência: “Privatização do Ensino e Proletarização dos Professores”

Prof Gilberto de Souza, membro do Instituto Latino Americano de Estudos Sócio-Econômicos/Professor rede estadual de Bauru/Conlutas



Quarta, 19 de maio

14h às 17h Mini Curso: “Classes sociais e Movimento: um debate sobre os novos movimentos sociais e a ideologia do fim das classes antagônicas no sistema capitalista”

Prof Ms. Jean Menezes, Unilago, Rio Preto

19h30 às 23h – Mesa Redonda: “Educação, Alienação e Desvalorização do Professor”

Prof Dr Valmir Pereira, FJB/José Bonifácio

Prof. Dr Antonio Rodrigues Belon, UFMS/MS, militante sindical/ANDES

Prof Dr José Luiz Vieira de Almeida, Unesp/Rio Preto



Quinta, 20 de maio

14h às 17h – Mini Curso: “A Mediação Dialética no Processo Escolar”

Profª Drª Maria Elisa Brefere Arnoni, Unesp/Rio Preto

19h30 às 23h – Mesa Redonda: “Formação de Professores”

Prof. Dr Edilson Moreira de Oliveira,Unesp/Rio Preto

Profª Drª Sueli Guadalupe de Lima Mendonça, Unesp/Marília



Sexta, dia 21 de maio

14h às 17h – Mini Curso: “Produção Artística no Capitalismo e Emancipação Humana”

Fabio Nunes, Filosofia Unesp/Marília

19h30 às 23h – Palestra I: “A Universalização do Ensino Superior em Cuba”

Profª Drª Maria do Carmo Luiz Caldas Leite, Unisantos, Santos, Presidente da Associação dos Educadores Latino-Americanos e profª da rede pública estadual

Palestra II: “Organização e Mobilização dos Trabalhadores”

Luis Carlos Prates (Mancha), Secretário Nacional da Conlutas



Sábado, dia 22 de maio

8h às 8h30 – Informações e encaminhamento as respectivas salas.

8h30 às 12h

Apresentação de Trabalhos Científicos

(As salas para apresentação dos trabalhos serão divulgadas no site na porta do auditório C)



II – Inscrições



Pessoalmente:

No saguão de entrada do IBILCE de segunda a sexta feira das 17h às 19h20.



Por email: (educritica@ig.com.br)



Enviando os seguintes dados:



Comprovante de depósito bancário referente a taxa de inscrição (ou a imagem escaneada com o nome do depositante, ou as informações do depósito) junto com:

Nome Completo

RG

Graduação

Instituição que pertence

Fones para contato

Emails

Se é aluno, professor ou outro

Se pretende ou não apresentar trabalho

(caso for apresentar trabalho, enviá-lo junto com estes dados)



Todos este dados são imprescindível para confirmar a inscrição.



Taxa de Inscrição:



Até dia 17 de maio de 2010

Graduando e alunos da pós: R$15,00

Professores e demais profissionais: R$20,00



No primeiro dia do evento, ou seja, dia 18/05:



Alunos: R$20,00

Professores e demais profissionais: R$25,00



III – Envio de resumos:



Acessar: www.bradoinformativo.blogspot.com



Neste blog estão TODAS as informações necessárias sobre as normas para envio de resumos.



Observação importante:

Não serem aceitos resumos que não vierem com o comprovante de pagamento da taxa de inscrição anexado.



Eixos temáticos:



- Socialismo e Educação;

- Organização e Militância dos Educadores;

- Formação de Professores;

- Marxismo, História e Educação;

- Educação e Luta de Classes;

- Arte e Emancipação Humana;

- Políticas Públicas e Serviço Social.



Enviar os dados e o resumo para:



educritica@ig.com.br



IV – Certificados



- Todos devem se inscrever?

- Não.

- Somente quem necessita de Certificado de participação de carga horária.



Os certificados serão entregues na sexta feira, dia 21 de maio, a partir das 22h30.



Certificado de Carga Horária: 45 hrs



Importante: É necessário ter no mínimo 70% de freqüência para ter direito ao certificado de 45 hrs. Não nos interessa distribuir certificados. Nossa meta é que as pessoas assistam às palestras, mini cursos e participem dos debates. Informe-se na hora da inscrição.



V – Sorteios



Ao final dos mini cursos (quarta/quinta/sexta), haverá sorteio de livros entre o público que estiver assistindo.



VI – Feira de Livros



Haverá uma feirinha de livros novos e usados durante o evento com parte da renda destinada aos projetos e a manutenção do “Centro Cultural Brado”.



______________________________



Ainda em tempo:



Muito obrigado pela atenção e lembramos que o seminário é aberto a toda a população. As inscrições são para as pessoas que precisam de certificado de participação.



Se você é professor, aluno ou trabalhador de outras áreas, não deixe de participar. As discussões são de interesse geral de toda a população.



A sua participação é muito importante. Organizamos este seminário justamente para que o conhecimento não fique enjaulado dentro das universidades. O conhecimento historicamente acumulado é um patrimônio da humanidade e não de uma classe parasita que faz de tudo para que este conhecimento não seja difundido.



Chega de ser espectador da sua própria história! Participe!



Cordialmente,



Marcos Rodrigues

Editor Brado Informativo

A máscara “pós-Lula” do anti-Lula José Serra

Era o que faltava: agora o tucano José Serra, pré-candidato da oposição neoliberal e conservadora à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tenta vender a imagem de “pós-Lula”, em lugar do anti-Lula que sempre foi.

É um recurso de campanha que não engana e que, nas entrelinhas, revela a intenção de apresentar-se ao eleitor como uma espécie de continuidade modificada do projeto político que, sob a liderança do presidente Lula, governa o país com êxito desde 2003.

A opção retórica de José Serra deve ser atribuída ao verdadeiro “Himalaia” que é a enorme popularidade do presidente e de seu governo. Bater de frente com essa disposição da opinião pública seria um erro fatal e Serra tenta fugir desse enfrentamento saindo pela lateral e adotando o prefixo “pós”.

Mas o que esta opção significa, o que esconde? Quando insinua que em 2011 poderá se abrir uma era “pós-Lula”, Serra manifesta disposição semelhante à de Fernando Henrique Cardoso quando defendeu, no discurso de posse do primeiro mandato, em 1995, a superação da era Vargas. Na época, ele foi mais direto do que Serra, hoje, em relação a Lula. O argumento é o mesmo: são políticas que, em sua opinião, precisam ser deixadas para trás – só se ultrapassa, como indica o prefixo “pós”, aquilo que já está superado e já cumpriu o seu papel.

Esta é a afirmação que o “pós-Lula” de Serra esconde: que o projeto de Lula estaria superado e precisaria, do ponto de vista tucano e neoliberal, ser substituído por outro. Qual projeto? Serra diz que o Brasil não tem donos – esquece que tem: o povo brasileiro -, diz que não vai estimular disputas de pobres contra ricos nem vai dividir o Brasil. Que os problemas nacionais não serão resolvidos com “demagogia”, mas com “ética”, “honestidade” e “coerência”.

As palavras chave, neste ponto do discurso que pronunciou no lançamento de sua pré-candidatura, no sábado, são “demagogia” e “coerência”. A coerência com o projeto neoliberal exige mais privatizações, redução dos gastos do governo, garantia dos interesses do grande capital financeiro e uma política externa alinhada com os interesses dos EUA e outras potências imperialistas. Basta lembrar todas as críticas tucanas contra o governo desde 2003. O Bolsa Família foi acusado de “demagógico”, a pressão pela privatização do pré-sal foi intensa, as denúncias de “gastança” contra o governo foram permanentes, a condenação da política externa soberana (que defende la integração da América do Sul e busca novos parceiros mundo afora, fortalecendo o comércio exterior brasileiro) foi constante. Estes são apenas alguns pontos do programa antipopular e antinacional das forças do arcaísmo organizadas em torno da pré-candidatura de José Serra.

Mas ele não pode confessar que vai mudar esse rumo e voltar ao mesmo programa neoliberal de Fernando Henrique Cardoso, em cujo governo o ex-governador paulista foi um caciques destacado.

A opção de apresentar Serra como “pós-Lula” talvez seja a prova mais candente do impasse da oposição tucana e neoliberal e sua falta de discurso. É uma tentativa ardilosa de fugir da avaliação popular do programa que aplicaram quando estiveram no governo federal e nos governos estaduais (como o próprio Serra, cujo governo em São Paulo foi marcado pela privatização de serviços sociais, como a saúde e o transporte, e pelo tratamento dos movimentos sociais na ponta do chicote).

Terão dificuldades em conseguir escapar ao caráter plebliscitário da eleição de outubro. Já tentaram uma “terceira via” com o nome da ambientalista Marina Silva, sem ressonância na opinião pública. Insistiram na comparação entre os currículos dos dois pré-candidatos principais (Dilma Rousseff e José Serra). O que vai se desenhando, entretanto, é a comparação entre os governos FHC e Lula; é a avaliação dos programas aplicados por eles.

É uma situação desconfortável para a oposição neoliberal. Como disfarçar um programa antinacional e anti-popular que está à vista de todos e cuja experiência nefasta foi feita durante os longos oito anos neoliberais de FHC? Os trabalhadores, os empresários, o povo mais pobre, conheceram nas graves dificuldades que enfrentaram os defeitos daquele programa que favoreceu somente aos muito ricos, aos detentores do capital financeiro.

Esta percepção da diferença profunda entre os dois Brasis – o estagnado de FHC e o dinâmico e vibrante de Lula – fundamenta a opção pelo continuísmo do atual projeto que governa o país e da necessidade de avançar nas mudanças. É esta percepção que leva Serra e os tucanos a usar a máscara do “pós-Lula”. Não enganam ninguém: o Brasil quer o “pró-Lula”, um projeto que tem nome e sobrenome: Dilma Rousseff.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Alberto Goldman, novo governador de São Paulo: o que faltou no perfil

Alberto Goldman (PSDB-SP) recebeu dinheiro da Editora Abril, que edita a Revista VEJA

Com o título “Um velho comunista no comando de São Paulo”, o Estadão deste domingo (4/4) estampa:

“O ex-comunista Alberto Goldman (PSDB), de 72 anos, assume o governo de São Paulo com a intenção de não cometer erros, para ajudar a candidatura de José Serra (PSDB) à Presidência. “Tudo que for feito corretamente vai reverter em benefício dele”, afirmou a Christiane Samarco e Julia Duailibi. Ele pretende imprimir um estilo de governo diverso do de Serra, a começar pela pontualidade. “Sou pontual doentiamente. Deve ser uma doença, algo que eu mesmo não me dou conta”, disse Goldman.” (OESP, pág. 1, Nacional e pág. A8)

A VEJA São Paulo oferece ao leitor a visão de um homem tradicional, refinado (leia aqui):

“Goldman acorda sem despertador às 5h30, joga basquete três vezes por semana, é apaixonado por piano, odeia o Twitter e deixa jujubas sobre a mesa do gabinete (…) 72 anos, oferece à pequena plateia três opções de degustação de um erudito cardápio. Pergunta se alguém quer ouvir Liszt, referindo-se ao húngaro Franz Liszt (1811-1886), virtuose e compositor cujo nome estampa ao menos duas brochuras de partituras acumuladas ao lado do piano. Sem dar tempo para a resposta, lança então ao diminuto público algo mais “popular”: Frédéric Chopin (1810-1849), com quem compartilha a origem polonesa (…)” (VEJA SP, Edição-2159)

E quem é Alberto Goldman (foto)? Ex-comunista? Admirador de música clássica? Classificaríamos de outro modo:

“Dados do TSE mostram que Editora Abril, proprietária da Veja, financiou campanhas de candidatos tucanos em SP, entre elas, a de Alberto Goldman. Nada ilegal, mas não custa avisar ao leitor. Ajuda a entender a linha editorial. E o que tudo isso tem a ver com Marcos Valério?

As informações são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e foram obtidas pelo gabinete do deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR). A Editora Abril S/A, proprietária da revista Veja, entre outras publicações, doou, nas eleições de 2002, R$ 80,7 mil a dois candidatos do PSDB e a um candidato do PPS. O deputado federal Alberto Goldman (PSDB-SP) recebeu doações de R$ 34,9 mil da editora naquele ano.

O deputado federal licenciado Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), ex-ministro da Justiça do governo Fernando Henrique Cardoso, recebeu uma quantia mais modesta, R$ 15,8 mil. Ferreira é hoje secretário de governo do prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB). Já o candidato Emerson Kapaz (PPS-SP), que já exerceu mandatos pelo PSDB antes de trocar de partido, recebeu R$ 30 mil. Segundo a assessoria do deputado Dr. Rosinha, essas foram as únicas doações a políticos feitas pela Editora Abril em 2002.” (Revista NOVAE, original aqui)

Agora, o mais interessante:

“A Editora Abril também foi identificada como responsável por um depósito de R$ 303 mil reais em uma conta da DNA Propaganda, empresa de Marcos Valério, segundo dados obtidos pela CPI dos Correios e divulgados pela mídia. Os integrantes da CPI também identificaram dois depósitos da TV Globo, somando R$ 3,6 milhões, e dois da Globosat, somando R$ 180 mil. Segundo a assessoria da DNA, nestes dois últimos casos, os depósitos correspondem ao pagamento de comissões e bônus pela veiculação de publicidade em emissoras de televisão aberta e a cabo. Em princípio, também não há nada de ilegal nisso. Mas será interessante ver qual será o tom da cobertura destes veículos sobre tais depósitos. Merecerão manchetes e destaques de capa?

(…) Nenhuma linha sobre o depósito de R$ 303 mil reais feito pela Editora Abril na conta de uma das empresas de Valério. Em nota oficial, não publicada pelo site de Veja na tarde de quarta, o Grupo Abril afirma que “mantém relacionamento comercial com a grande maioria das agências de publicidade do país e que pagamentos de comissões em nome de agências fazem parte das práticas normais da atividade”. De fato, fazem parte, mas a discrição e o silêncio no site da revista são duas características estranhas à linha editorial da publicação quando se trata de alguma denúncia contra qualquer coisa que tenha “cheiro de esquerda”. Neste caso, qualquer denúncia ganha destaque imediato.”

Você acha que acabou, né? Não. Há mais sobre o novo Governador de São Paulo, Alberto Goldman:

“Além de ter relatado a Lei Geral de Telecomunicações durante o governo FHC, Goldman também presidiu a comissão que tratou da flexibilização do monopólio do petróleo. O principal beneficiado pelas doações da Editora Abril foi ainda ministro dos Transportes, quando deu início ao processo de privatização das rodovias e portos brasileiros”, informa material produzido pela assessoria do parlamentar. E vai mais além. “Uma das maiores editoras do Brasil, a Abril possuía um endividamento líquido, em 2002, de R$ 699,5 milhões. Em julho de 2004, fundos de investimento em empresas de capital privado da Capital International Inc. associaram-se ao grupo Abril, beneficiando-se da Lei Geral de Telecomunicações, relatada por Goldman”.

(…) essa negociação permitiu à editora um aumento de capital de R$ 150 milhões – parte desse valor teria sido utilizada no abatimento da dívida. “O negócio corresponde a 13,8% do capital da Abril. A dívida atual da editora chega a R$ 485,9 milhões”, acrescenta, concluindo: “Como se vê, mesmo endividada, a empresa não deixou de contribuir com campanhas tucanas. Onde fica o princípio de imparcialidade e a independência jornalística dos veículos ligados à editora?”, questionou o parlamentar [Dr. Rosinha].

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Emir Sader: quem acredita na FSP (Força Serra Presidente) ? Participe da campanha “A Folha (*) mente”


A FSP gosta do que foge: da presidência da UNE, da prefeitura e do Governo de São Paulo

27/03/2010

Quem acredita na FSP (Força Serra Presidente)?
Menos de duas semanas depois de ter que se render às inquestionáveis tendências de subida da candidatura da Dilma e de estagnação e até mesmo descenso da de Serra, a FSP (Forca Serra Presidente) se apressou em fazer uma nova pesquisa, que nem esperou a tradicional divulgação de domingo, saindo no sábado.
Sem que nenhum fato político pudesse explicar, fizeram o que se imaginaria que um adepto da campanha serrista faria: levantar o animo depressivo da campanha opositora, tentando evitar o anti clímax do lançamento no dia 10 de abril da candidatura do Serra.
A manipulação – que já havia estado presente na não qualificação de empate técnico na diferença de 4 pontos – agora se revela abertamente. A FSP (Forca Serra Presidente) faz parte da direção da campanha do Serra e qualquer divulgação de pesquisa tem que ser caracterizado como manobra da campanha opositora.
Quem acredita na FSP (Forca Serra Presidente), depois de tudo que tem feito, desesperadamente, particularmente nestes últimos tempos, em que tiveram que abandonar a postura de aparente segurança na vitoria do seu colunista, o atual governador de São Paulo (ex presidente da UNE e ex prefeito de Sáo Paulo, ambos cargos abandonados por ele sem concluir o mandato), para se jogar, já sem nenhum escrúpulo, na campanha serrista?
Quem acredita no jornal que emprestou seus carros para dar cobertura à repressão da ditadura militar? Quem acredito no jornal que anunciou que haveria dezenas de milhões de vitimas da gripe suína no Brasil? Quem acredita no jornal que divulgou ficha falsa da Dilma? Quem acredita no jornal que publicou na primeira pagina artigo de suposto psicanalista acusando o governo de ter assassinado (sic) a mais de cem pessoas no acidente da TAM em Congonhas?
Quem acredita na FSP (Forca Serra Presidente), dirigida pelo filho do proprietário e não por nenhum tipo de eleição publica e democrática? Quem acredita em quem dirige o jornal porque é Frias Filho, filho do dono e não por algum tipo de mérito próprio que pudesse ter?
Quem acredita na FSP (Forca Serra Presidente) se o candidato que apóiam é colunista permanente do jornal, circula pela redação como se fosse sua casa, indica jornalistas vinculados a ele para cargos do jornal – como a diretora da redação de Brasilia, colunista da página 2, indicada por ele, conforme declaração de membro do Comite Editorial do jornal?
Como acreditar na FSP (Forca Serra Presidente) se se transformou no Diario Oficial Tucano (DOT), partido da direita brasileira, que dirigiu catastroficamente o país durante 8 anos – tendo mudado a Constituicao durante seu mandato para se beneficiar, com a compra de votos de parlamentares -, com todo o apoio desse jornaleco da Barão de Limeira?
Quem ainda acredita na FSP (Forca Serra Presidente)? Como se fez campanha no Chile, com Allende, contra o correspondente dessa imprensa no Chile, com o lema EL MERCURIO MIENTE, aqui devemos espalhar por todas partes, sobre a FSP (Forca Serra Presidente) e sobre seus congêneres, plásticos e toda forma de divulgação com o lema:

A FOLHA MENTE

O GLOBOMENTE

A VEJA MENTE

O ESTADAO MENTE.

Porque A DIREITA MENTE.
(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que avacalha o Presidente Lula por causa de um comercial de TV; que publica artigo sórdido de ex-militante do PT; e que é o que é, porque o dono é o que é ; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.
Em tempo: e o editorial da FSP (Força Serra Presidente) de hoje ? Elogiar o governo do Supremo ex-Presidente do Supremo. Nem o Estadão foi capaz de tanto disparate