Hoje de novo a caçada
se estende por todo o Brasil,
procura-o a fria cobiça
dos mercadores de escravos
em Wall Street decretaram
a seus satélites porcinos
que enterracem os seus caninos
nas feridas do povo
e começou a caçada
no Chile, no Brasil, em todas
as nossas Américas arrasadas,
por mercadores e verdugos.
Meu povo escondeu meu caminho,
cobriu meus versos com as mãos,
da morte me preservou,
e no Brasíl a porta infinita
do povo fecha os caminhos
aonde Prestes outra vez
rechaça de novo o malvado.
Brasil, que te seja salvo
o teu capitão doloroso,
Brasil, que não tenhas amanhã
de recolher de sua lembrança
fibra por fibra a sua efigie
para ergue-la em pedra austera,
]sem tê-lo deixado no meio
de teu coração desfrutar
a liberdade qie ainda, ainda
pode conquistar-te, Brasil.
"Pablo Neruda"
Célula Vermelha
"Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a primavera inteira!" CHE
Mobilização na Paulista
Integrantes da Célula na mobilização da Paulista
Mobilização na Av. Paulista
Cerca de 40 mil professores da rede Estadual de ensino tomaram à Av. Paulista nesta sexta dia 12/03/2010
sábado, 5 de março de 2011
Cruel. Vanglorioso. Banhado em sangue. E, agora, após mais de quatro décadas de terror e opressão, está de saída?
Por Robert Fisk
Então até mesmo a velha, paranóica e louca raposa da Líbia – o pálido e infantil ditador de bochechas caídas nascido em Sirte, dono de sua própria guarda pretoriana feminina, autor do absurdo Livro Verde, aquele que uma vez declarou que iria à reunião de cúpula do Movimento dos Países Não-Alinhados em Belgrado com seu cavalo de batalha - está caindo por terra. Ou já caiu. Na noite de segunda, 21, o homem que vi pela primeira vez há mais de três décadas saudando solenemente uma legião de homens-rã com uniformes pretos que marchavam pelo asfalto extremamente quente da Praça Verde em uma tórrida noite em Trípoli, durante um desfile militar de sete horas, pareceu, finalmente, estar em fuga, perseguido - como os ditadores da Tunísia e do Egito – por seu próprio povo em fúria.
As fotos do Youtube e do Facebook contaram a história com uma realidade embaçada; a fantasia transformou-se em fogo, delegacias de polícia em chamas em Benghazi e Trípoli, cadáveres e homens armados furiosos, uma mulher com uma pistola debruçando-se da porta de um carro, uma multidão de estudantes – seriam eles leitores de sua literatura? - quebrando uma réplica de concreto de seu medonho livro. Tiros, chamas e gritos ao celular, um epitáfio e tanto para um regime que todos nós, por vezes, apoiamos.
E aqui, apenas para focarmos nossa mente em um cérebro de desejo verdadeiramente excêntrico, segue uma história real. Há apenas alguns dias, enquanto o Coronel Muammar Khadafi enfrentava a ira de seu próprio povo, ele se reuniu com um antigo conhecido árabe e passou 20 minutos dentre quatro horas lhe perguntando se conhecia um bom cirurgião para fazer um lifting facial. Essa é – preciso dizê-lo em se tratando desse homem? – uma história real. O velho garoto não parecia bem, com o rosto abatido, inchado, simplesmente louco. Como um ator de comédia que havia se voltado para dramas reais em seus últimos dias, desesperado pela última obra da maquiadora, pelo chute final na porta do teatro.
Na ocasião, Saif al-Islam al-Khadafi, fiel substituto do pai, precisou representá-lo no palco enquanto Benghazi e Trípoli queimavam, ameaçando instaurar "o caos e uma guerra civil" caso os líbios não se acalmassem. “Esqueçam petróleo, esqueçam gasolina”, anunciou esse tolo abastado. “Haverá uma guerra civil”.
Acima da cabeça do filho querido na televisão estatal, um verde mediterrâneo pareceu esvair-se de seu cérebro. Um obituário e tanto, pensando bem, para quase 42 anos de governo Khadafi.
Não exatamente um Rei Lear, que dizia: “farei tais coisas - quais, ainda ignoro - que hão de ser o terror de toda a terra”. Assemelha-se mais a outro ditador em uma bunker diferente, convocando exércitos inexistentes para salvá-lo em sua capital, e, por fim, acusando o próprio povo de sua desgraça. Mas esqueçam Hitler, Khadafi fez sua própria carreira. Mickey Mouse e Profeta, Batman e Clark Gable, Anthony Quinn representando Omar Mukhtar em O Leão do Deserto, Nero e Mussolini (a versão da década de 1920), e, inevitavelmente – o maior ator de todos – Muammar Khadafi. Ele escreveu um livro – apropriadamente intitulado de acordo com suas infelizes circunstâncias atuais – chamado Escape to Hell and Other Stories (na tradução livre, em português, Fuga para o inferno e outras histórias) e estabeleceu uma solução de um só Estado para o conflito Israel-Palestina, que seria chamado de "Israeltina".
Pouco depois, ele expulsou do país metade dos palestinos residentes na Líbia, dizendo-lhes para marcharem para sua terra perdida. Saiu esbravejando da Liga Árabe, pois a considerou irrelevante – um breve momento de sanidade, temos que admitir – e chegou ao Cairo para uma reunião de cúpula, deliberadamente confundindo a porta do banheiro com a do salão da conferência. Foi, então, conduzido pelo Califa Mubarak, que tinha no semblante um sorriso tênue e sofredor.
E, se o que estivermos testemunhando for uma verdadeira revolução na Líbia, então, em breve, poderemos remexer nos arquivos de Trípoli – a não ser que aduladores da embaixada ocidental cheguem primeiro para a onda de saques graves e desesperados. Poderemos, ainda, ler a versão libanesa de Lockerbie e do atentado contra o voo 722 da UTA em 1989; do atentado contra uma discoteca em Berlim, pelo qual uma multidão de civis árabes e a filha adotiva de Khadafi morreram nos ataques de vingança dos Estados Unidos em 1986; do fornecimento de armas pelo IRA e do assassinato de oponentes dentro e fora do país, da morte de uma policial britânica, da invasão do Chade e dos acordos com magnatas britânicos do petróleo. E - ai de nós neste momento - da verdade por trás da grotesca deportação de al-Megrahi, o suposto responsável pelo ataque de Lockerbie, que estava muito doente para a condenação; e que pode, mesmo agora, revelar alguns segredos dos quais a Raposa da Líbia – juntamente com Gordon Brown e o procurador-geral da Escócia, pois são todos iguais no palco mundial de Khadafi – preferiria que não soubéssemos.
E quem sabe o que os arquivos do Livro Verde – por favor, ó rebeldes da Líbia, NÃO queimem esses documentos preciosos em vossa justa ira – nos dirão sobre a visita inerte de Lord Blair a esse horrendo velho homem. Uma figura podre cujos gestos de estadista (as palavras, certamente, vêm da velha fraude marxista chamada Jack Straw, de quando o autor de Escape to Hell prometeu entregar as quinquilharias nucleares que seus cientistas notavelmente fracassaram em transformar em uma bomba) permitiram que o próprio líder espiritual alegasse que, se não tivéssemos punido os saddamitas iraquianos com nossa ira justificada por suas armas de destruição em massa inexistentes, a Líbia também teria se unido ao Eixo do Mal.
Pena que Lord Blair desprezou o fator “camaleão” de Khadafi, a capacidade única de fazer-se passar por um homem são enquanto secretamente acredita ser uma lâmpada, como Omar Suleiman no Cairo. Poucos dias depois do aperto de mão de Blair, os sauditas acusaram Khadafi de conspiração para matar o aliado britânico Rei Abdullah, da Arábia Saudita. Os detalhes, aliás, eram terrivelmente convincentes. Mas por que a surpresa, se o homem mais temido e, agora, mais zombado e odiado por seu próprio povo, escreveu no supracitado Escape to Hell que a crucificação de Cristo foi uma mentira histórica e que – digo novamente, um débil fantasma da verdade muito raramente aparece nos desvarios de Khadafi – um “Quarto Reich” alemão estava dominando a Grã-Bretanha e os Estados Unidos? Ao refletir sobre a mortalidade em sua obra dramática, ele pergunta se a Morte é um homem ou uma mulher. Desnecessário dizer que o líder da Grande Jamairia Árabe Popular Socialista da Líbia pareceu pender para a última opção.
Como em todas as histórias do Oriente Médio, uma narrativa histórica precede o espetáculo dramático da queda de Khadafi. Por décadas, seus oponentes tentaram matá-lo e despontaram como nacionalistas, prisioneiros em suas câmaras de tortura e islamitas nas ruas – sim! – de Benghazi. E ele derrotou a todos. De fato, essa cidade venerável já havia atingido seu estado de martírio em 1979, quando Khadafi enforcou publicamente estudantes dissidentes na praça principal de Benghazi. Isso sem mencionar o desaparecimento do defensor dos direitos humanos líbio Mansour al-Kikhiya, que participava de uma conferência no Cairo e criticou a execução de presos políticos por Khadafi. É importante lembrar que, há 42 anos, o ministério das relações exteriores britânico acolheu o golpe de Khadafi contra o decadente e corrupto Rei Idris, pois, disseram os mandarins coloniais, que seria melhor ter um coronel novo em folha encarregado de um governo petrolífero do que relíquias do imperialismo. Realmente, eles exibiram quase tanto entusiasmo quanto o que demonstraram para esse déspota decadente quando Lord Blair chegou a Trípoli décadas depois para a imposição das mãos (prática religiosa).
Como o grupo de oposição da Líbia disse anos atrás – não nos importávamos com essas pessoas na época, claro - "Khadafi queria nos fazer crer estar na vanguarda de cada desenvolvimento humano que surgiu durante toda a sua vida".
Tudo verdade, se reduzirmos a uma farsa sub-Shakesperiana. Meu reino por um lifting facial. Naquela conferência dos Não-Alinhados em Belgrado, Khadafi até levou um avião cheio de camelos para abastecê-lo de leite fresco. Mas não permitiram que ele fosse com seu cavalo de batalha. Tito cuidou disso. Havia, então, um verdadeiro ditador.
* Texto publicado originalmente no The Independent / Tradução: Mariana Abbate
Então até mesmo a velha, paranóica e louca raposa da Líbia – o pálido e infantil ditador de bochechas caídas nascido em Sirte, dono de sua própria guarda pretoriana feminina, autor do absurdo Livro Verde, aquele que uma vez declarou que iria à reunião de cúpula do Movimento dos Países Não-Alinhados em Belgrado com seu cavalo de batalha - está caindo por terra. Ou já caiu. Na noite de segunda, 21, o homem que vi pela primeira vez há mais de três décadas saudando solenemente uma legião de homens-rã com uniformes pretos que marchavam pelo asfalto extremamente quente da Praça Verde em uma tórrida noite em Trípoli, durante um desfile militar de sete horas, pareceu, finalmente, estar em fuga, perseguido - como os ditadores da Tunísia e do Egito – por seu próprio povo em fúria.
As fotos do Youtube e do Facebook contaram a história com uma realidade embaçada; a fantasia transformou-se em fogo, delegacias de polícia em chamas em Benghazi e Trípoli, cadáveres e homens armados furiosos, uma mulher com uma pistola debruçando-se da porta de um carro, uma multidão de estudantes – seriam eles leitores de sua literatura? - quebrando uma réplica de concreto de seu medonho livro. Tiros, chamas e gritos ao celular, um epitáfio e tanto para um regime que todos nós, por vezes, apoiamos.
E aqui, apenas para focarmos nossa mente em um cérebro de desejo verdadeiramente excêntrico, segue uma história real. Há apenas alguns dias, enquanto o Coronel Muammar Khadafi enfrentava a ira de seu próprio povo, ele se reuniu com um antigo conhecido árabe e passou 20 minutos dentre quatro horas lhe perguntando se conhecia um bom cirurgião para fazer um lifting facial. Essa é – preciso dizê-lo em se tratando desse homem? – uma história real. O velho garoto não parecia bem, com o rosto abatido, inchado, simplesmente louco. Como um ator de comédia que havia se voltado para dramas reais em seus últimos dias, desesperado pela última obra da maquiadora, pelo chute final na porta do teatro.
Na ocasião, Saif al-Islam al-Khadafi, fiel substituto do pai, precisou representá-lo no palco enquanto Benghazi e Trípoli queimavam, ameaçando instaurar "o caos e uma guerra civil" caso os líbios não se acalmassem. “Esqueçam petróleo, esqueçam gasolina”, anunciou esse tolo abastado. “Haverá uma guerra civil”.
Acima da cabeça do filho querido na televisão estatal, um verde mediterrâneo pareceu esvair-se de seu cérebro. Um obituário e tanto, pensando bem, para quase 42 anos de governo Khadafi.
Não exatamente um Rei Lear, que dizia: “farei tais coisas - quais, ainda ignoro - que hão de ser o terror de toda a terra”. Assemelha-se mais a outro ditador em uma bunker diferente, convocando exércitos inexistentes para salvá-lo em sua capital, e, por fim, acusando o próprio povo de sua desgraça. Mas esqueçam Hitler, Khadafi fez sua própria carreira. Mickey Mouse e Profeta, Batman e Clark Gable, Anthony Quinn representando Omar Mukhtar em O Leão do Deserto, Nero e Mussolini (a versão da década de 1920), e, inevitavelmente – o maior ator de todos – Muammar Khadafi. Ele escreveu um livro – apropriadamente intitulado de acordo com suas infelizes circunstâncias atuais – chamado Escape to Hell and Other Stories (na tradução livre, em português, Fuga para o inferno e outras histórias) e estabeleceu uma solução de um só Estado para o conflito Israel-Palestina, que seria chamado de "Israeltina".
Pouco depois, ele expulsou do país metade dos palestinos residentes na Líbia, dizendo-lhes para marcharem para sua terra perdida. Saiu esbravejando da Liga Árabe, pois a considerou irrelevante – um breve momento de sanidade, temos que admitir – e chegou ao Cairo para uma reunião de cúpula, deliberadamente confundindo a porta do banheiro com a do salão da conferência. Foi, então, conduzido pelo Califa Mubarak, que tinha no semblante um sorriso tênue e sofredor.
E, se o que estivermos testemunhando for uma verdadeira revolução na Líbia, então, em breve, poderemos remexer nos arquivos de Trípoli – a não ser que aduladores da embaixada ocidental cheguem primeiro para a onda de saques graves e desesperados. Poderemos, ainda, ler a versão libanesa de Lockerbie e do atentado contra o voo 722 da UTA em 1989; do atentado contra uma discoteca em Berlim, pelo qual uma multidão de civis árabes e a filha adotiva de Khadafi morreram nos ataques de vingança dos Estados Unidos em 1986; do fornecimento de armas pelo IRA e do assassinato de oponentes dentro e fora do país, da morte de uma policial britânica, da invasão do Chade e dos acordos com magnatas britânicos do petróleo. E - ai de nós neste momento - da verdade por trás da grotesca deportação de al-Megrahi, o suposto responsável pelo ataque de Lockerbie, que estava muito doente para a condenação; e que pode, mesmo agora, revelar alguns segredos dos quais a Raposa da Líbia – juntamente com Gordon Brown e o procurador-geral da Escócia, pois são todos iguais no palco mundial de Khadafi – preferiria que não soubéssemos.
E quem sabe o que os arquivos do Livro Verde – por favor, ó rebeldes da Líbia, NÃO queimem esses documentos preciosos em vossa justa ira – nos dirão sobre a visita inerte de Lord Blair a esse horrendo velho homem. Uma figura podre cujos gestos de estadista (as palavras, certamente, vêm da velha fraude marxista chamada Jack Straw, de quando o autor de Escape to Hell prometeu entregar as quinquilharias nucleares que seus cientistas notavelmente fracassaram em transformar em uma bomba) permitiram que o próprio líder espiritual alegasse que, se não tivéssemos punido os saddamitas iraquianos com nossa ira justificada por suas armas de destruição em massa inexistentes, a Líbia também teria se unido ao Eixo do Mal.
Pena que Lord Blair desprezou o fator “camaleão” de Khadafi, a capacidade única de fazer-se passar por um homem são enquanto secretamente acredita ser uma lâmpada, como Omar Suleiman no Cairo. Poucos dias depois do aperto de mão de Blair, os sauditas acusaram Khadafi de conspiração para matar o aliado britânico Rei Abdullah, da Arábia Saudita. Os detalhes, aliás, eram terrivelmente convincentes. Mas por que a surpresa, se o homem mais temido e, agora, mais zombado e odiado por seu próprio povo, escreveu no supracitado Escape to Hell que a crucificação de Cristo foi uma mentira histórica e que – digo novamente, um débil fantasma da verdade muito raramente aparece nos desvarios de Khadafi – um “Quarto Reich” alemão estava dominando a Grã-Bretanha e os Estados Unidos? Ao refletir sobre a mortalidade em sua obra dramática, ele pergunta se a Morte é um homem ou uma mulher. Desnecessário dizer que o líder da Grande Jamairia Árabe Popular Socialista da Líbia pareceu pender para a última opção.
Como em todas as histórias do Oriente Médio, uma narrativa histórica precede o espetáculo dramático da queda de Khadafi. Por décadas, seus oponentes tentaram matá-lo e despontaram como nacionalistas, prisioneiros em suas câmaras de tortura e islamitas nas ruas – sim! – de Benghazi. E ele derrotou a todos. De fato, essa cidade venerável já havia atingido seu estado de martírio em 1979, quando Khadafi enforcou publicamente estudantes dissidentes na praça principal de Benghazi. Isso sem mencionar o desaparecimento do defensor dos direitos humanos líbio Mansour al-Kikhiya, que participava de uma conferência no Cairo e criticou a execução de presos políticos por Khadafi. É importante lembrar que, há 42 anos, o ministério das relações exteriores britânico acolheu o golpe de Khadafi contra o decadente e corrupto Rei Idris, pois, disseram os mandarins coloniais, que seria melhor ter um coronel novo em folha encarregado de um governo petrolífero do que relíquias do imperialismo. Realmente, eles exibiram quase tanto entusiasmo quanto o que demonstraram para esse déspota decadente quando Lord Blair chegou a Trípoli décadas depois para a imposição das mãos (prática religiosa).
Como o grupo de oposição da Líbia disse anos atrás – não nos importávamos com essas pessoas na época, claro - "Khadafi queria nos fazer crer estar na vanguarda de cada desenvolvimento humano que surgiu durante toda a sua vida".
Tudo verdade, se reduzirmos a uma farsa sub-Shakesperiana. Meu reino por um lifting facial. Naquela conferência dos Não-Alinhados em Belgrado, Khadafi até levou um avião cheio de camelos para abastecê-lo de leite fresco. Mas não permitiram que ele fosse com seu cavalo de batalha. Tito cuidou disso. Havia, então, um verdadeiro ditador.
* Texto publicado originalmente no The Independent / Tradução: Mariana Abbate
O nosso PAC
01/03/2011
Por Gilvan Rocha
A disputa política circunscrita às fronteiras do Brasil de Cabral que, por herança, deixou para os Sarneys, Calheiros, Barbalhos, Jucás, o impune Maluf, latifundiários, grandes industriais, banqueiros e tantos poucos outros que mereceram essa “dádiva” da história do capitalismo, nessa “nossa pátria amada, idolatrada”, dar-se-á entre o nosso PAC e o deles.
O deles, como bem sabemos, chama-se Programa de Aceleração do Crescimento, ou melhor, Programa de Ação do Capitalismo. O nosso PAC é qualitativamente diferente e, além da diferença qualitativa, temos que destacar a urgência urgentíssima no seu processo de construção.
Nosso PAC é o necessário Partido Anti-Capitalista, algo que estará muito longe da esquerda convencional que não ultrapassa os limites do social-patriotismo e de uma lista infinda de “reformas estruturais” tão necessárias ao crescimento do capitalismo e que deixaram de ser processadas no governo Lula para não arranhar, de nenhuma forma, o seu conteúdo populista, cujo eixo consistiu em premiar a grande burguesia com fartos lucros e a imensa massa dos desvalidos, dos excluídos ou simplesmente dos lumpens proletários, com as migalhas que sobravam de tão indecente banquete.
Para construção do nosso PAC faz-se necessário demolir todos os fundamentos dos discursos burgueses e dos discursos produzidos, implementados e consolidados pelo velho stalinismo. É evidente que a sociedade respaldada na desigualdade social fosse ela o escravismo, o feudalismo, o modo asiático de produção ou o capitalismo, teria que repousar num imenso império de mentiras. Esse império de mentiras necessário à desigualdade continuou sendo indispensável para manter o mundo capitalista sob a farsa da existência de dois mundos. Um deles, o mundo capitalista, decadente e exaurido e o outro, ascendente e progressista onde corria leite e mel.
Era necessário o conluio entre os interesses do imperialismo e a burocracia instalada nos “Estados Operários degenerados” para manter, a qualquer custo, o sistema capitalista e evitar a todo e qualquer preço o avanço da revolução mundial.
Desmantelar esse tão sólido império da mentira é a tarefa mais urgente, árdua e necessária que temos pela frente no nosso objetivo de construir, não só em escala cabralina mas em escala universal, o Partido Anti-Capitalista.
O velho Manifesto Comunista dos jovens alemães, Karl Marx e Friedrich Engels, proclamou que a história era a história da luta de classes. A burocracia soviética teve que reformular esse princípio e em lugar dele lançar um dogma: “A história move-se pela contradição: nação opressora versus nação oprimida” e, dessa forma, foi banida a luta de classe, para dar lugar ao social-patriotismo que se faz presente nas hostes das esquerdas de matriz stalinista em suas várias feições.
O stalinismo, responsável pela manutenção de um capitalismo exaurido cuja incontida busca pelo lucro ocupa-se em destruir a vida na sua insensata caminhada, é o amparo necessário para que esse sistema mantenha-se de pé.
Esperança há que o nosso PAC, o nosso Partido Anti-Capitalista surja em tempo historicamente hábil para permitir que a humanidade não seja mergulhada irreversivelmente na tragédia total. O socialismo nunca foi uma fatalidade como diziam e dizem os discursos mentirosos da velha esquerda burocrática, por desinformação de muitos e má fé de alguns. O socialismo era e é, apenas uma possibilidade política que se imporá, ou não, como solução para a catástrofe. Mas, para se impor como solução é necessário que disponha de força política e social capaz de cumprir essa tarefa.
Vemos que os longos anos de permanência da cultura da desigualdade e, depois de noventa anos de stalinismo, temos pela frente uma assombrosa montanha de dogmas, preconceitos, mitos, crendices, mentiras, engodos e fantasias muito bem respaldadas pela ordem vigente e suas instituições que vão desde as religiões, às academias, aos grupos e partidos da esquerda convencional.
Diz a ignorância corrente na sua forma popular ou erudita que “a mentira tem pernas curtas”. Essa é a maior das mentiras, pois ela não só tem pernas longas e robustas, como tem caráter multimilenar e se apóia em alicerces bem fundados cujo objetivo nosso é dinamitá-los urgentemente para que, em seu lugar, possamos construir ou reconstruir os alicerces do anticapitalismo.
Gilvan Rocha é Presidente do Centro de Atividades e Estudos Políticos - CAEP.
Por Gilvan Rocha
A disputa política circunscrita às fronteiras do Brasil de Cabral que, por herança, deixou para os Sarneys, Calheiros, Barbalhos, Jucás, o impune Maluf, latifundiários, grandes industriais, banqueiros e tantos poucos outros que mereceram essa “dádiva” da história do capitalismo, nessa “nossa pátria amada, idolatrada”, dar-se-á entre o nosso PAC e o deles.
O deles, como bem sabemos, chama-se Programa de Aceleração do Crescimento, ou melhor, Programa de Ação do Capitalismo. O nosso PAC é qualitativamente diferente e, além da diferença qualitativa, temos que destacar a urgência urgentíssima no seu processo de construção.
Nosso PAC é o necessário Partido Anti-Capitalista, algo que estará muito longe da esquerda convencional que não ultrapassa os limites do social-patriotismo e de uma lista infinda de “reformas estruturais” tão necessárias ao crescimento do capitalismo e que deixaram de ser processadas no governo Lula para não arranhar, de nenhuma forma, o seu conteúdo populista, cujo eixo consistiu em premiar a grande burguesia com fartos lucros e a imensa massa dos desvalidos, dos excluídos ou simplesmente dos lumpens proletários, com as migalhas que sobravam de tão indecente banquete.
Para construção do nosso PAC faz-se necessário demolir todos os fundamentos dos discursos burgueses e dos discursos produzidos, implementados e consolidados pelo velho stalinismo. É evidente que a sociedade respaldada na desigualdade social fosse ela o escravismo, o feudalismo, o modo asiático de produção ou o capitalismo, teria que repousar num imenso império de mentiras. Esse império de mentiras necessário à desigualdade continuou sendo indispensável para manter o mundo capitalista sob a farsa da existência de dois mundos. Um deles, o mundo capitalista, decadente e exaurido e o outro, ascendente e progressista onde corria leite e mel.
Era necessário o conluio entre os interesses do imperialismo e a burocracia instalada nos “Estados Operários degenerados” para manter, a qualquer custo, o sistema capitalista e evitar a todo e qualquer preço o avanço da revolução mundial.
Desmantelar esse tão sólido império da mentira é a tarefa mais urgente, árdua e necessária que temos pela frente no nosso objetivo de construir, não só em escala cabralina mas em escala universal, o Partido Anti-Capitalista.
O velho Manifesto Comunista dos jovens alemães, Karl Marx e Friedrich Engels, proclamou que a história era a história da luta de classes. A burocracia soviética teve que reformular esse princípio e em lugar dele lançar um dogma: “A história move-se pela contradição: nação opressora versus nação oprimida” e, dessa forma, foi banida a luta de classe, para dar lugar ao social-patriotismo que se faz presente nas hostes das esquerdas de matriz stalinista em suas várias feições.
O stalinismo, responsável pela manutenção de um capitalismo exaurido cuja incontida busca pelo lucro ocupa-se em destruir a vida na sua insensata caminhada, é o amparo necessário para que esse sistema mantenha-se de pé.
Esperança há que o nosso PAC, o nosso Partido Anti-Capitalista surja em tempo historicamente hábil para permitir que a humanidade não seja mergulhada irreversivelmente na tragédia total. O socialismo nunca foi uma fatalidade como diziam e dizem os discursos mentirosos da velha esquerda burocrática, por desinformação de muitos e má fé de alguns. O socialismo era e é, apenas uma possibilidade política que se imporá, ou não, como solução para a catástrofe. Mas, para se impor como solução é necessário que disponha de força política e social capaz de cumprir essa tarefa.
Vemos que os longos anos de permanência da cultura da desigualdade e, depois de noventa anos de stalinismo, temos pela frente uma assombrosa montanha de dogmas, preconceitos, mitos, crendices, mentiras, engodos e fantasias muito bem respaldadas pela ordem vigente e suas instituições que vão desde as religiões, às academias, aos grupos e partidos da esquerda convencional.
Diz a ignorância corrente na sua forma popular ou erudita que “a mentira tem pernas curtas”. Essa é a maior das mentiras, pois ela não só tem pernas longas e robustas, como tem caráter multimilenar e se apóia em alicerces bem fundados cujo objetivo nosso é dinamitá-los urgentemente para que, em seu lugar, possamos construir ou reconstruir os alicerces do anticapitalismo.
Gilvan Rocha é Presidente do Centro de Atividades e Estudos Políticos - CAEP.
Indígenas são explorados em condições degradantes
Repórter Brasil*
2 de março de 2011 às 10:29h
Fiscalização flagrou 16 índios Terena na Fazenda Vargem Grande, que fica a 10 km na Aldeia Lalima, no município de Miranda (MS). Grupo estava há 15 dias no local e dormia em barracos precários de lona, cobertos com folha de bacuri
Por Bianca Pyl*
Um grupo de 16 índios foi encontrado em situação análoga à escravidão na Fazenda Vargem Grande, que pertence à Agropecuária Rio Miranda Ltda e fica em Miranda (MS). Os trabalhadores eram responsáveis pela limpeza de área destinada à formação de pastos para criação de gado bovino.
Os indígenas são da etnia Terena e vivem na Aldeia Lalima, em Miranda (MS), a 10 km da propriedade. A ação ocorreu em 25 de janeiro deste ano e contou com a participação do Ministério Público do Trabalho (MPT), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e da Polícia Federal (PF).
A equipe de fiscalização fazia uma operação de rotina para verificar as condições de trabalho em carvoarias, iniciada no último dia 24 de janeiro. Contudo, no meio do caminho que dava acesso a uma carvoaria que seria fiscalizada, os agentes públicos encontraram os 16 indígenas. As vítimas foram contratadas diretamente pela administradora da fazenda.
Os indígenas estavam há 15 dias no local e dormiam em barracos feitos de lona e cobertos com folha de bacuri (espécie de palha). Eles receberiam por produção e foram recrutados para trabalhar por 45 dias.
Não havia fornecimento de água potável às vítimas, que utilizavam água de um córrego para consumir e tomar banho. Não havia instalações sanitárias no local. Durante a execução dos serviços, os empregados não utilizavam nenhum equipamento de proteção individual (EPI). Os próprios trabalhadores preparavam as refeições em um fogão a lenha improvisado.
O local foi interditado. E, segundo Antonio Maria Parron, auditor fiscal do trabalho que coordena a fiscalização rural da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Mato Grosso do Sul (SRTE/MS), os próprios trabalhadores acabaram destruindo as barracas.
Tanto o auditor fiscal Antonio como o procurador do trabalho Rafael Salgado, que atua em Corumbá (MS) e também esteve na área, os trabalhadores manifestaram a intenção de seguir realizando o serviço. Diante disso, a opção, como explica Rafael, foi pela “empregabilidade”.
“Não é comum não realizar o resgate. Contudo, achamos que essa era a melhor solução para o caso, pois a aldeia fica muito próxima da fazenda e os indígenas poderiam voltar a trabalhar escondido no local”, complementa Antonio. Segundo ele, as Carteiras de Trabalho e da Previdência Social (CTPS) dos 14 empregados que quiseram continuar trabalhando foram assinadas com data retroativa (início do trabalho) e a empresa contratante também providenciou um ônibus para transportar os empregados diariamente.
A sócia-administradora da fazenda, Ana Paula Nunes da Cunha, firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), no dia 31 de janeiro, na sede do MPT em Corumbá (MS), por meio do qual se compromete a pagar multa de R$ 5 mil por cláusula descumprida e por trabalhador prejudicado
Se a empresa cumprir as cláusulas quanto ao oferecimento de água potável, áreas de vivência adequadas e EPIs, poderá funcionar sem a construção de novos alojamentos – desde que ofereça, sem custo para os empregados, condução ao local de trabalho e de volta à aldeia.
Foram lavrados, ao todo, oito autos de infração em relação às irregularidades encontradas. Para checar in loco se as irregularidades foram sanadas, o MPT solicitou ao MTE que nova fiscalização ocorra em 30 dias.
O proprietário Rubens Nunes da Cunha disse à reportagem que essa foi a primeira vez que tiveram problemas porque, antes do episódio em questão, nunca deixaram os trabalhadores alojados no empreendimento rural.
“A fazenda é nossa desde 1939. Nunca tivemos problemas. Nossos trabalhadores permanentes são registrados. E, quando precisávamos de temporário, fazíamos um contrato simples. Já regularizamos a situação”, adiciona Rubens. “Vamos utilizar mais maquinário e menos recursos humanos”.
*Matéria publicada originalmente no Repórter Brasil
2 de março de 2011 às 10:29h
Fiscalização flagrou 16 índios Terena na Fazenda Vargem Grande, que fica a 10 km na Aldeia Lalima, no município de Miranda (MS). Grupo estava há 15 dias no local e dormia em barracos precários de lona, cobertos com folha de bacuri
Por Bianca Pyl*
Um grupo de 16 índios foi encontrado em situação análoga à escravidão na Fazenda Vargem Grande, que pertence à Agropecuária Rio Miranda Ltda e fica em Miranda (MS). Os trabalhadores eram responsáveis pela limpeza de área destinada à formação de pastos para criação de gado bovino.
Os indígenas são da etnia Terena e vivem na Aldeia Lalima, em Miranda (MS), a 10 km da propriedade. A ação ocorreu em 25 de janeiro deste ano e contou com a participação do Ministério Público do Trabalho (MPT), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e da Polícia Federal (PF).
A equipe de fiscalização fazia uma operação de rotina para verificar as condições de trabalho em carvoarias, iniciada no último dia 24 de janeiro. Contudo, no meio do caminho que dava acesso a uma carvoaria que seria fiscalizada, os agentes públicos encontraram os 16 indígenas. As vítimas foram contratadas diretamente pela administradora da fazenda.
Os indígenas estavam há 15 dias no local e dormiam em barracos feitos de lona e cobertos com folha de bacuri (espécie de palha). Eles receberiam por produção e foram recrutados para trabalhar por 45 dias.
Não havia fornecimento de água potável às vítimas, que utilizavam água de um córrego para consumir e tomar banho. Não havia instalações sanitárias no local. Durante a execução dos serviços, os empregados não utilizavam nenhum equipamento de proteção individual (EPI). Os próprios trabalhadores preparavam as refeições em um fogão a lenha improvisado.
O local foi interditado. E, segundo Antonio Maria Parron, auditor fiscal do trabalho que coordena a fiscalização rural da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Mato Grosso do Sul (SRTE/MS), os próprios trabalhadores acabaram destruindo as barracas.
Tanto o auditor fiscal Antonio como o procurador do trabalho Rafael Salgado, que atua em Corumbá (MS) e também esteve na área, os trabalhadores manifestaram a intenção de seguir realizando o serviço. Diante disso, a opção, como explica Rafael, foi pela “empregabilidade”.
“Não é comum não realizar o resgate. Contudo, achamos que essa era a melhor solução para o caso, pois a aldeia fica muito próxima da fazenda e os indígenas poderiam voltar a trabalhar escondido no local”, complementa Antonio. Segundo ele, as Carteiras de Trabalho e da Previdência Social (CTPS) dos 14 empregados que quiseram continuar trabalhando foram assinadas com data retroativa (início do trabalho) e a empresa contratante também providenciou um ônibus para transportar os empregados diariamente.
A sócia-administradora da fazenda, Ana Paula Nunes da Cunha, firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), no dia 31 de janeiro, na sede do MPT em Corumbá (MS), por meio do qual se compromete a pagar multa de R$ 5 mil por cláusula descumprida e por trabalhador prejudicado
Se a empresa cumprir as cláusulas quanto ao oferecimento de água potável, áreas de vivência adequadas e EPIs, poderá funcionar sem a construção de novos alojamentos – desde que ofereça, sem custo para os empregados, condução ao local de trabalho e de volta à aldeia.
Foram lavrados, ao todo, oito autos de infração em relação às irregularidades encontradas. Para checar in loco se as irregularidades foram sanadas, o MPT solicitou ao MTE que nova fiscalização ocorra em 30 dias.
O proprietário Rubens Nunes da Cunha disse à reportagem que essa foi a primeira vez que tiveram problemas porque, antes do episódio em questão, nunca deixaram os trabalhadores alojados no empreendimento rural.
“A fazenda é nossa desde 1939. Nunca tivemos problemas. Nossos trabalhadores permanentes são registrados. E, quando precisávamos de temporário, fazíamos um contrato simples. Já regularizamos a situação”, adiciona Rubens. “Vamos utilizar mais maquinário e menos recursos humanos”.
*Matéria publicada originalmente no Repórter Brasil
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Trololó na TV Cultura e mais
"http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=597IPB010"
Trololó na TV Cultura
Por Nelson Hoineff em 12/7/2010
A bola queimou para a TV Cultura, com as demissões dos jornalistas
Heródoto Barbeiro e Gabriel Priolli. Explicações complicadas terão que
ser dadas pelo candidato à presidência José Serra – acusado de ter
pedido a cabeça dos jornalistas – e pelo vice-presidente de conteúdo
da emissora, Fernando Vieira de Mello, recém-chegado por lá, após ter
sido afastado da Band.
Como já é amplamente sabido, as duas demissões supostamente têm na
base questionamentos feitos pelos jornalistas ao alto preço dos
pedágios nas estradas de São Paulo – Barbeiro no Roda Viva, onde Serra
considerou a questão um "trololó petista"; Priolli em reportagem para
o Jornal da Cultura, e que sequer estava editada.
Barbeiro era um nome importante do jornalismo da Cultura havia muitos
anos; foi editor, repórter, apresentador e âncora. Priolli teve várias
passagens pela emissora, mas tornou-se diretor do Jornalismo apenas
cinco dias antes de ser demitido. É possivelmente um recorde mundial,
que deixa para a TV Cultura uma questão que ela tem que responder com
urgência: ou o novo diretor de Jornalismo, que a emissora conhecia bem
em várias outras funções, demonstrou uma inadequação meteórica para o
cargo, ou a emissora cedeu mesmo, como escreveram Luis Nassif e outros
jornalistas, às exigências do candidato tucano.
Diálogo de répteis
Se isso não é envaidecedor para José Serra, é muito menos para a
emissora. Menos ainda para a utopia de se construir uma televisão
pública livre no Brasil. O incidente deixa a TV Cultura numa situação
visivelmente constrangedora, mas impacta enormemente o debate que
vinha acontecendo – especialmente desde a criação da Empresa Brasil de
Comunicação (EBC) – sobre a possibilidade de sobrevivência do
jornalismo independente numa televisão pública.
A principal razão para isso é que a própria Cultura vinha ironicamente
sendo apontada como um modelo bem sucedido dessa possibilidade. Isso
em oposição à EBC, que como empresa alegadamente ainda não conseguiu
decolar, cujo jornalismo foi esfacelado há tempos, onde essa história
de independência é uma balela.
Em vista do experimentado pela EBC – e à luz do que acontece neste
momento na TV Cultura –, televisão pública e jornalismo independente
parecem ser no Brasil expressões mutuamente excludentes. Mas se o
jornalismo não é independente numa televisão pública, não ofenderá
perguntar:
– A quem interessa, então, uma televisão pública, e por que os
governos investem tanto dinheiro nelas?
A possibilidade de construção de uma televisão pública livre, original
e relevante é inversamente proporcional ao nível de promiscuidade que
possa existir entre governos e seus partidos e os mecanismos de gestão
dessas emissoras. Se for comprovado que o PSDB demitiu dois
jornalistas da Cultura por terem feito perguntas sobre os pedágios das
estradas paulistas, isso autorizará a EBC a afastar quem se posicione
criticamente a qualquer ação do governo Lula. Tal quadro estaria
alguns pontos abaixo de um diálogo de répteis – subvencionado pelo
dinheiro da sociedade brasileira.
Fundo do poço
A sociedade tem que saber imediatamente se Heródoto Barbeiro e Gabriel
Priolli foram de fato demitidos por ordem de José Serra. Se não, por
que o foram, que tipo de erros contundentes ambos cometeram – até
porque são nomes conhecidos pelo público e respeitados no ambiente
profissional.
A sociedade tem também que saber quem está ganhando dinheiro público
nas emissoras públicas para não lutar por sua independência e, pelo
contrário, torná-las mais e mais subservientes aos interesses dos
políticos.
Relações promíscuas com vários setores estão no DNA de muitos
políticos – não refiro a qualquer um em especial – e isso talvez não
possa ser combatido com tanta facilidade. Mas "laranjas" que são
postos nas televisões públicas que o povo está pagando – e que as
colocam a serviço do atraso, que as lançam ostensivamente no
descrédito público –, estes devem ser combatidos e denunciados por
quem quer que defenda a possibilidade de uma imprensa equilibrada, de
uma televisão pública independente e voltada para o interesse público.
Ser conivente com isso é jogar a televisão brasileira no fundo do
poço, é trair os mais elementares ideais libertários.
***
ENTRE ASPAS
Sayad nega ingerência política na TV Cultura
Sonia Racy e Jotabê Medeiros # reproduzido de O Estado de S.Paulo, 12/7/2010
O presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad, negou ontem
[domingo, 11/7] ter havido motivação política no afastamento de
Gabriel Priolli da Diretoria de Jornalismo da TV Cultura. Ele alegou
que Priolli não tinha o perfil adequado para o cargo na emissora,
gerida pela fundação.
"Foi uma escolha equivocada", afirmou Sayad. Jornalista experiente,
com passagem por alguns dos principais jornais e televisões do Brasil,
Priolli trabalha para a TV Cultura há mais de uma década e permaneceu
apenas uma semana no cargo.
Seu afastamento alimentou a suspeita de ingerência política na
emissora pública ligada ao governo de São Paulo. Segundo versão
amplificada pela internet, Priolli foi afastado do posto por orientar
a produção de uma reportagem sobre as tarifas de pedágio nas estradas
estaduais, tema abordado com insistência pela campanha do PT ao
governo paulista.
O jornalista preferiu não se manifestar sobre o episódio: "Vou manter
silêncio, pois ainda sou funcionário da TV Cultura". O destino de
Priolli dentro da emissora deve ser definido hoje, em reunião com o
vice-presidente da fundação, Ronaldo Bianchi. Tanto a nomeação quanto
a destituição de Priolli foram comunicadas a ele pelo diretor de
Conteúdo da TV Cultura, Fernando Vieira de Mello.
O seção paulista do PT anunciou que vai pedir ao Ministério Público
Eleitoral que investigue o afastamento de Priolli. O candidato do
partido ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, foi entrevistado
para a reportagem sobre pedágios, assim como o candidato do PSDB,
Geraldo Alckmin.
***
Pedágio na Cultura
Fernando de Barros e Silva # reproduzido da Folha de S.Paulo, 12/7/2010
Começou mal, muito mal, a gestão de João Sayad à frente da TV Cultura
de São Paulo.
Na quarta-feira da última semana, confeccionava-se, para o jornal
noturno da emissora, uma reportagem sobre os pedágios paulistas, aos
quais o próprio candidato tucano ao governo, Geraldo Alckmin, havia
feito reparos. No início da noite, o diretor de jornalismo da TV
Cultura, Gabriel Priolli, foi chamado à sala de Fernando Vieira de
Mello, vice-presidente de conteúdo.
Ali ouviu a bronca: a TV não poderia se ocupar de assunto tão delicado
sem o seu conhecimento prévio. Vieira de Mello ecoava um protesto que
tinha origem em algum escaninho da burocracia tucana.
A reportagem não foi ao ar naquela noite. E Priolli foi afastado de
suas funções na tarde de quinta-feira. Durou uma semana no cargo.
Consta que a reportagem sobre os pedágios foi exibida na noite de
sexta, feriadão de 9 de julho. E alega-se que foi derrubada na
antevéspera porque estava "mal feita". Ninguém deve ter visto o
resultado final. Como quase ninguém teria visto se fosse exibida na
quarta.
A verdade é que a Cultura é uma TV mais lida do que assistida. Os
próprios conselheiros da Fundação Padre Anchieta acompanham a emissora
pela imprensa.
A saída de Heródoto Barbeiro do "Roda Viva" nada tem a ver com a
pergunta que ele fez no programa a José Serra uma semana antes
-justamente sobre pedágios. A sua substituição por Marília Gabriela já
estava acertada pela direção. Mas, ao enviar Priolli para a Sibéria,
os tucanos conseguiram transformar uma mentira em algo verossímil.
O episódio escancara a ingerência política do tucanato na TV pública
de São Paulo. Quando uma reportagem sobre pedágios vira questão de
Estado, então é melhor fechar o departamento de jornalismo e exibir
"Cocoricó", onde ao menos as crianças são levadas a sério.
***
Diretor de jornalismo da Cultura é afastado
Ana Paula Sousa # reproduzido da Folha de S.Paulo, 10/7/2010
Após uma semana no posto, o jornalista Gabriel Priolli deixou de ser
diretor de jornalismo da TV Cultura. A decisão, tomada pelo jornalista
Fernando Vieira de Mello, vice-presidente de conteúdo da emissora,
alimentou boatos a respeito da ingerência política sobre o canal.
No final da tarde de quinta-feira [8/7], Mello chamou Priolli à sua
sala para comunicá-lo do afastamento. Priolli, que já era funcionário
da Cultura, disse, à Folha, que preferia não falar sobre o episódio.
Nos corredores da emissora e na blogosfera, circula a informação de
que, por trás da saída de Priolli, está uma reportagem sobre problemas
e aumento nos pedágios.
A reportagem teria sido "derrubada" – jargão para o que não é
veiculado – por Mello. "A reportagem não foi ao ar na quarta-feira por
uma razão simples: não estava pronta", diz Mello.
"Eram ouvidos só [Geraldo] Alckmin e [Aloísio] Mercadante. Em período
eleitoral, somos obrigados a ouvir todos os candidatos. Foi isso que
fizemos", acrescenta.
De acordo com ele, o material iria ao ar ontem [9/7] à noite, no
Jornal da Cultura.
Dias antes, outra dança de cadeiras originou rumores sobre a
influência do governo estadual sobre a TV.
Segundo estes, Heródoto Barbeiro teria sido substituído por Marília
Gabriela no Roda Viva por ter feito uma pergunta incômoda a Serra.
A TV atrela a mudança à busca de uma "nova cara" para o canal. Mello
observa, ainda, que nem Priolli nem Barbeiro foram demitidos. Ambos
devem assumir novas posições na emissora.
Trololó na TV Cultura
Por Nelson Hoineff em 12/7/2010
A bola queimou para a TV Cultura, com as demissões dos jornalistas
Heródoto Barbeiro e Gabriel Priolli. Explicações complicadas terão que
ser dadas pelo candidato à presidência José Serra – acusado de ter
pedido a cabeça dos jornalistas – e pelo vice-presidente de conteúdo
da emissora, Fernando Vieira de Mello, recém-chegado por lá, após ter
sido afastado da Band.
Como já é amplamente sabido, as duas demissões supostamente têm na
base questionamentos feitos pelos jornalistas ao alto preço dos
pedágios nas estradas de São Paulo – Barbeiro no Roda Viva, onde Serra
considerou a questão um "trololó petista"; Priolli em reportagem para
o Jornal da Cultura, e que sequer estava editada.
Barbeiro era um nome importante do jornalismo da Cultura havia muitos
anos; foi editor, repórter, apresentador e âncora. Priolli teve várias
passagens pela emissora, mas tornou-se diretor do Jornalismo apenas
cinco dias antes de ser demitido. É possivelmente um recorde mundial,
que deixa para a TV Cultura uma questão que ela tem que responder com
urgência: ou o novo diretor de Jornalismo, que a emissora conhecia bem
em várias outras funções, demonstrou uma inadequação meteórica para o
cargo, ou a emissora cedeu mesmo, como escreveram Luis Nassif e outros
jornalistas, às exigências do candidato tucano.
Diálogo de répteis
Se isso não é envaidecedor para José Serra, é muito menos para a
emissora. Menos ainda para a utopia de se construir uma televisão
pública livre no Brasil. O incidente deixa a TV Cultura numa situação
visivelmente constrangedora, mas impacta enormemente o debate que
vinha acontecendo – especialmente desde a criação da Empresa Brasil de
Comunicação (EBC) – sobre a possibilidade de sobrevivência do
jornalismo independente numa televisão pública.
A principal razão para isso é que a própria Cultura vinha ironicamente
sendo apontada como um modelo bem sucedido dessa possibilidade. Isso
em oposição à EBC, que como empresa alegadamente ainda não conseguiu
decolar, cujo jornalismo foi esfacelado há tempos, onde essa história
de independência é uma balela.
Em vista do experimentado pela EBC – e à luz do que acontece neste
momento na TV Cultura –, televisão pública e jornalismo independente
parecem ser no Brasil expressões mutuamente excludentes. Mas se o
jornalismo não é independente numa televisão pública, não ofenderá
perguntar:
– A quem interessa, então, uma televisão pública, e por que os
governos investem tanto dinheiro nelas?
A possibilidade de construção de uma televisão pública livre, original
e relevante é inversamente proporcional ao nível de promiscuidade que
possa existir entre governos e seus partidos e os mecanismos de gestão
dessas emissoras. Se for comprovado que o PSDB demitiu dois
jornalistas da Cultura por terem feito perguntas sobre os pedágios das
estradas paulistas, isso autorizará a EBC a afastar quem se posicione
criticamente a qualquer ação do governo Lula. Tal quadro estaria
alguns pontos abaixo de um diálogo de répteis – subvencionado pelo
dinheiro da sociedade brasileira.
Fundo do poço
A sociedade tem que saber imediatamente se Heródoto Barbeiro e Gabriel
Priolli foram de fato demitidos por ordem de José Serra. Se não, por
que o foram, que tipo de erros contundentes ambos cometeram – até
porque são nomes conhecidos pelo público e respeitados no ambiente
profissional.
A sociedade tem também que saber quem está ganhando dinheiro público
nas emissoras públicas para não lutar por sua independência e, pelo
contrário, torná-las mais e mais subservientes aos interesses dos
políticos.
Relações promíscuas com vários setores estão no DNA de muitos
políticos – não refiro a qualquer um em especial – e isso talvez não
possa ser combatido com tanta facilidade. Mas "laranjas" que são
postos nas televisões públicas que o povo está pagando – e que as
colocam a serviço do atraso, que as lançam ostensivamente no
descrédito público –, estes devem ser combatidos e denunciados por
quem quer que defenda a possibilidade de uma imprensa equilibrada, de
uma televisão pública independente e voltada para o interesse público.
Ser conivente com isso é jogar a televisão brasileira no fundo do
poço, é trair os mais elementares ideais libertários.
***
ENTRE ASPAS
Sayad nega ingerência política na TV Cultura
Sonia Racy e Jotabê Medeiros # reproduzido de O Estado de S.Paulo, 12/7/2010
O presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad, negou ontem
[domingo, 11/7] ter havido motivação política no afastamento de
Gabriel Priolli da Diretoria de Jornalismo da TV Cultura. Ele alegou
que Priolli não tinha o perfil adequado para o cargo na emissora,
gerida pela fundação.
"Foi uma escolha equivocada", afirmou Sayad. Jornalista experiente,
com passagem por alguns dos principais jornais e televisões do Brasil,
Priolli trabalha para a TV Cultura há mais de uma década e permaneceu
apenas uma semana no cargo.
Seu afastamento alimentou a suspeita de ingerência política na
emissora pública ligada ao governo de São Paulo. Segundo versão
amplificada pela internet, Priolli foi afastado do posto por orientar
a produção de uma reportagem sobre as tarifas de pedágio nas estradas
estaduais, tema abordado com insistência pela campanha do PT ao
governo paulista.
O jornalista preferiu não se manifestar sobre o episódio: "Vou manter
silêncio, pois ainda sou funcionário da TV Cultura". O destino de
Priolli dentro da emissora deve ser definido hoje, em reunião com o
vice-presidente da fundação, Ronaldo Bianchi. Tanto a nomeação quanto
a destituição de Priolli foram comunicadas a ele pelo diretor de
Conteúdo da TV Cultura, Fernando Vieira de Mello.
O seção paulista do PT anunciou que vai pedir ao Ministério Público
Eleitoral que investigue o afastamento de Priolli. O candidato do
partido ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, foi entrevistado
para a reportagem sobre pedágios, assim como o candidato do PSDB,
Geraldo Alckmin.
***
Pedágio na Cultura
Fernando de Barros e Silva # reproduzido da Folha de S.Paulo, 12/7/2010
Começou mal, muito mal, a gestão de João Sayad à frente da TV Cultura
de São Paulo.
Na quarta-feira da última semana, confeccionava-se, para o jornal
noturno da emissora, uma reportagem sobre os pedágios paulistas, aos
quais o próprio candidato tucano ao governo, Geraldo Alckmin, havia
feito reparos. No início da noite, o diretor de jornalismo da TV
Cultura, Gabriel Priolli, foi chamado à sala de Fernando Vieira de
Mello, vice-presidente de conteúdo.
Ali ouviu a bronca: a TV não poderia se ocupar de assunto tão delicado
sem o seu conhecimento prévio. Vieira de Mello ecoava um protesto que
tinha origem em algum escaninho da burocracia tucana.
A reportagem não foi ao ar naquela noite. E Priolli foi afastado de
suas funções na tarde de quinta-feira. Durou uma semana no cargo.
Consta que a reportagem sobre os pedágios foi exibida na noite de
sexta, feriadão de 9 de julho. E alega-se que foi derrubada na
antevéspera porque estava "mal feita". Ninguém deve ter visto o
resultado final. Como quase ninguém teria visto se fosse exibida na
quarta.
A verdade é que a Cultura é uma TV mais lida do que assistida. Os
próprios conselheiros da Fundação Padre Anchieta acompanham a emissora
pela imprensa.
A saída de Heródoto Barbeiro do "Roda Viva" nada tem a ver com a
pergunta que ele fez no programa a José Serra uma semana antes
-justamente sobre pedágios. A sua substituição por Marília Gabriela já
estava acertada pela direção. Mas, ao enviar Priolli para a Sibéria,
os tucanos conseguiram transformar uma mentira em algo verossímil.
O episódio escancara a ingerência política do tucanato na TV pública
de São Paulo. Quando uma reportagem sobre pedágios vira questão de
Estado, então é melhor fechar o departamento de jornalismo e exibir
"Cocoricó", onde ao menos as crianças são levadas a sério.
***
Diretor de jornalismo da Cultura é afastado
Ana Paula Sousa # reproduzido da Folha de S.Paulo, 10/7/2010
Após uma semana no posto, o jornalista Gabriel Priolli deixou de ser
diretor de jornalismo da TV Cultura. A decisão, tomada pelo jornalista
Fernando Vieira de Mello, vice-presidente de conteúdo da emissora,
alimentou boatos a respeito da ingerência política sobre o canal.
No final da tarde de quinta-feira [8/7], Mello chamou Priolli à sua
sala para comunicá-lo do afastamento. Priolli, que já era funcionário
da Cultura, disse, à Folha, que preferia não falar sobre o episódio.
Nos corredores da emissora e na blogosfera, circula a informação de
que, por trás da saída de Priolli, está uma reportagem sobre problemas
e aumento nos pedágios.
A reportagem teria sido "derrubada" – jargão para o que não é
veiculado – por Mello. "A reportagem não foi ao ar na quarta-feira por
uma razão simples: não estava pronta", diz Mello.
"Eram ouvidos só [Geraldo] Alckmin e [Aloísio] Mercadante. Em período
eleitoral, somos obrigados a ouvir todos os candidatos. Foi isso que
fizemos", acrescenta.
De acordo com ele, o material iria ao ar ontem [9/7] à noite, no
Jornal da Cultura.
Dias antes, outra dança de cadeiras originou rumores sobre a
influência do governo estadual sobre a TV.
Segundo estes, Heródoto Barbeiro teria sido substituído por Marília
Gabriela no Roda Viva por ter feito uma pergunta incômoda a Serra.
A TV atrela a mudança à busca de uma "nova cara" para o canal. Mello
observa, ainda, que nem Priolli nem Barbeiro foram demitidos. Ambos
devem assumir novas posições na emissora.
domingo, 11 de julho de 2010
Serra ordena demissões na TV Cultura
Por Altamiro Borges em 09/07/2010
Assista o vídeo: "http://www.youtube.com/watch?v=ZK4s6KaUdzc"
Dois renomados jornalistas da TV Cultura, tutelada pelo governo paulista, foram demitidos nos últimos dias: Heródoto Barbeiro e Gabriel Priolli.
Por mera coincidência, ambos questionaram os abusivos pedágios cobrados nas rodovias privatizadas do estado. A mídia demotucana, que tanto bravateia sobre a “liberdade de expressão”, evita tratar do assunto, que relembra a perseguição e a censura nos piores tempos da ditadura. Ela não vacila em blindar o presidenciável José Serra.
Heródoto Barbeiro, apresentador do programa Roda Viva, foi demitido após perguntar, ao vivo, sobre os altos pedágios. O ex-governador Serra, autoritário e despreparado, atacou o jornalista, acusando-o de repetir o “trololó petista”. Heródoto será substituído por Marília Gabriela, uma das estrelas da Rede Globo. Já Gabriel Priolli, que assumira a função de diretor de jornalismo da TV Cultura apenas uma semana antes, foi sumariamente dispensado ao pautar uma reportagem sobre o “delicado” assunto, que tanto incomoda e irrita os tucanos.
Risco à liberdade de expressão
Sua equipe chegou a entrevistar Geraldo Alckmin e Aloizio Mercadante, candidatos ao governo paulista. Mas pouco antes de ser exibida, a reportagem foi suspensa por ordens do novo vice-presidente de conteúdo da emissora, Fernando Vieira de Mello. “Tiveram que improvisar uma matéria anódina sobre viagens dos candidatos” e “Priolli foi demitido do cargo”, relata o sempre bem informado Luis Nassif, que também foi alvo de perseguições na TV Cultura.
Entre os jornalistas, não há dúvida de que mais estas demissões foram ordenadas diretamente por José Serra. Nas redes privadas de rádio e TV e nos jornalões e revistonas, o grão-tucano goza de forte influência. Ele costuma freqüentar as confortáveis salas dos barões da mídia. Ele também é conhecido por ligar para as redações exigindo a cabeça de repórteres inconvenientes. Depois os tucanos e a sua mídia ainda falam nos ataques à liberdade de expressão no governo Lula.
“Para quem ainda têm dúvidas, a maior ameaça à liberdade de imprensa que esse país jamais enfrentou, nas últimas décadas, seria se, por desgraça, Serra juntasse ao poder da mídia, que já tem o poder de Estado”, alerta Nassif. Aguarda-se, agora, algum pronunciamento de Heródoto Barbeiro e Gabriel Priolli sobre o ditador José Serra, para o bem da dignidade dos jornalistas e do jornalismo.
Matéria original do blog do Luis Nassif, 08/07/2010 às 22h25,
"http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/pedagio-derruba-mais-um-jornalista-da-tv-cultura"
Pedágio derruba mais um jornalista da TV Cultura
“Há uma semana, Gabriel Priolli foi indicado diretor de jornalismo da TV Cultura.
Ontem [quarta 07], planejou uma matéria sobre os pedágios paulistas. Foram ouvidos Geraldo Alckmin e Aluizio Mercadante, candidatos ao governo do estado. Tentou-se ouvir a Secretaria dos Transportes, que não quis dar entrevistas. O jornalismo pediu ao menos uma nota oficial.
Acabaram não se pronunciando.
Sete horas da noite, o novo vice-presidente de conteúdo da TV Cultura, Fernando Vieira de Mello, chamou Priolli em sua sala. Na volta, Priolli informou que a matéria teria que ser derrubada. Tiveram que improvisar uma matéria anódina sobre as viagens dos candidatos.
Hoje, Priolli foi demitido do cargo. Não durou uma semana. Semana passada foi Heródoto Barbeiro, demitido do cargo de apresentador do Roda Viva devido às perguntas sobre pedágio feitas ao candidato José Serra.
--
Você recebeu esta mensagem porque está inscrito no Grupo "ListaRepea". É
uma lista para trocar idéias e aprender uns com os outros, compartilhando informação e conhecimento sobre educação ambiental.
Esta lista é cuidada por Rosmari Lazarini e Wilson Barbosa.
Para alterações, solicitações de inclusão e exclusão <>
ou escreva para:
rosmarilazarini@gmail.com ou wbwilsonbarbosa@gmail.com
Para postar neste grupo, envie um e-mail para
listarepea@googlegroups.com
Para ver mais opções, visite este grupo em
http://groups.google.com.br/group/listarepea?hl=pt-BR
E olha o descaso de Serra
http://www.youtube.com/watch?v=ZK4s6KaUdzc&feature=player_embedded
Assista o vídeo: "http://www.youtube.com/watch?v=ZK4s6KaUdzc"
Dois renomados jornalistas da TV Cultura, tutelada pelo governo paulista, foram demitidos nos últimos dias: Heródoto Barbeiro e Gabriel Priolli.
Por mera coincidência, ambos questionaram os abusivos pedágios cobrados nas rodovias privatizadas do estado. A mídia demotucana, que tanto bravateia sobre a “liberdade de expressão”, evita tratar do assunto, que relembra a perseguição e a censura nos piores tempos da ditadura. Ela não vacila em blindar o presidenciável José Serra.
Heródoto Barbeiro, apresentador do programa Roda Viva, foi demitido após perguntar, ao vivo, sobre os altos pedágios. O ex-governador Serra, autoritário e despreparado, atacou o jornalista, acusando-o de repetir o “trololó petista”. Heródoto será substituído por Marília Gabriela, uma das estrelas da Rede Globo. Já Gabriel Priolli, que assumira a função de diretor de jornalismo da TV Cultura apenas uma semana antes, foi sumariamente dispensado ao pautar uma reportagem sobre o “delicado” assunto, que tanto incomoda e irrita os tucanos.
Risco à liberdade de expressão
Sua equipe chegou a entrevistar Geraldo Alckmin e Aloizio Mercadante, candidatos ao governo paulista. Mas pouco antes de ser exibida, a reportagem foi suspensa por ordens do novo vice-presidente de conteúdo da emissora, Fernando Vieira de Mello. “Tiveram que improvisar uma matéria anódina sobre viagens dos candidatos” e “Priolli foi demitido do cargo”, relata o sempre bem informado Luis Nassif, que também foi alvo de perseguições na TV Cultura.
Entre os jornalistas, não há dúvida de que mais estas demissões foram ordenadas diretamente por José Serra. Nas redes privadas de rádio e TV e nos jornalões e revistonas, o grão-tucano goza de forte influência. Ele costuma freqüentar as confortáveis salas dos barões da mídia. Ele também é conhecido por ligar para as redações exigindo a cabeça de repórteres inconvenientes. Depois os tucanos e a sua mídia ainda falam nos ataques à liberdade de expressão no governo Lula.
“Para quem ainda têm dúvidas, a maior ameaça à liberdade de imprensa que esse país jamais enfrentou, nas últimas décadas, seria se, por desgraça, Serra juntasse ao poder da mídia, que já tem o poder de Estado”, alerta Nassif. Aguarda-se, agora, algum pronunciamento de Heródoto Barbeiro e Gabriel Priolli sobre o ditador José Serra, para o bem da dignidade dos jornalistas e do jornalismo.
Matéria original do blog do Luis Nassif, 08/07/2010 às 22h25,
"http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/pedagio-derruba-mais-um-jornalista-da-tv-cultura"
Pedágio derruba mais um jornalista da TV Cultura
“Há uma semana, Gabriel Priolli foi indicado diretor de jornalismo da TV Cultura.
Ontem [quarta 07], planejou uma matéria sobre os pedágios paulistas. Foram ouvidos Geraldo Alckmin e Aluizio Mercadante, candidatos ao governo do estado. Tentou-se ouvir a Secretaria dos Transportes, que não quis dar entrevistas. O jornalismo pediu ao menos uma nota oficial.
Acabaram não se pronunciando.
Sete horas da noite, o novo vice-presidente de conteúdo da TV Cultura, Fernando Vieira de Mello, chamou Priolli em sua sala. Na volta, Priolli informou que a matéria teria que ser derrubada. Tiveram que improvisar uma matéria anódina sobre as viagens dos candidatos.
Hoje, Priolli foi demitido do cargo. Não durou uma semana. Semana passada foi Heródoto Barbeiro, demitido do cargo de apresentador do Roda Viva devido às perguntas sobre pedágio feitas ao candidato José Serra.
--
Você recebeu esta mensagem porque está inscrito no Grupo "ListaRepea". É
uma lista para trocar idéias e aprender uns com os outros, compartilhando informação e conhecimento sobre educação ambiental.
Esta lista é cuidada por Rosmari Lazarini e Wilson Barbosa.
Para alterações, solicitações de inclusão e exclusão <
ou escreva para:
rosmarilazarini@gmail.com ou wbwilsonbarbosa@gmail.com
Para postar neste grupo, envie um e-mail para
listarepea@googlegroups.com
Para ver mais opções, visite este grupo em
http://groups.google.com.br/group/listarepea?hl=pt-BR
E olha o descaso de Serra
http://www.youtube.com/watch?v=ZK4s6KaUdzc&feature=player_embedded
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Serra critica movimentos sociais e promete ampliar fronteiras agrícolas
Por Fábio M. Michel
São Paulo – O candidato do PSDB à presidência da república, José Serra, fez críticas ao Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a outras organizações sociais que lutam por reforma agrária. Também disparou contra ONGs ambientalistas, acusando-as de “terrorismo”. As afirmações foram feitas nesta quinta-feira (1º), durantesabatina organizada pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), em Brasília. Dos três principais concorrentes ao Planalto, ele foi o único presente ao evento (confira box).
O evento teve presença maciça de senadores e deputados da bancada ruralista no Congresso, além de representantes de setores do agronegócio e do recém-promovido candidato a vice-presidente na chapa de oposição, deputado Indio da Costa (DEM-RJ). A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da CNA, abriu a sabatina, apontando o que considera entraves ao pleno exercício do livre-mercado da agricultura e da pecuária.
Suas críticas passaram pela atuação dos movimentos sociais ligados à posse da terra, como o MST e a Contag, pelos gargalos de infraestrutura para o escoamento da produção, a carga tributária incidente sobre insumos e sobre a comercialização dos produtos agrícolas e pelo que chamou de “terrorismo ambiental”, referindo-se à defesa, por ONGs e movimentos sociais, de áreas de preservação, territórios indígenas e quilombolas etc.
“O importante é que devemos buscar a prevalência da competitividade. Estamos abrindo mão de áreas altamente produtivas em nome da preservação”, prometeu. Uma das principais demandas dos ruralistas é a ampliação da fronteira agropecuária, especialmente no Norte e Centro-Oeste, sobre áreas da Amazônia Legal.
Aridez e promessas
Mesmo sem entusiasmar os presentes, Serra fez promessas que provocaram aplausos. Entre elas, a de que vai investir no que chamou de “defensivo (agrícola) genérico”. Sem entrar em detalhes, ele justificou a premissa dizendo que o mercado desse tipo de insumo “está muito oligopolizado”, controlado por um grupo pequeno de empresas – fenômeno que ocorre também no mercado internacional.
O tucano afirmou também que vai criar um seguro e garantia de preço mínimo para a produção e que, se eleito vai acumular os cargos de presidente e de superintendente do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). A “promessa” foi feita ao responder a um produtor rural instalado naquela região, que se queixava do rigor dos monitoramentos por satélite, que normalmente indicam grande quantidade de focos de desmatamentos ilegais.
Barulho
No último bloco da sabatina, Serra foi questionado se achava possível e como faria para resolver os conflitos de interesses entre o agronegócio e as questões ambientais. Foi o único momento em que o candidato mostrou-se incomodado. “A Marina estava certa em querer saber as perguntas antes”, esbravejou.
A resposta foi evasiva, mas mostrou que ele preferiu agradar, ao menos parcialmente, os presentes. “Acredito na razão. Tem que ter um projeto e ouvir os representantes de todos os lados. Estas questões têm que ter um encaminhamento objetivo. Tem setores que defendem interesses pequenos, mas são barulhentos. Acredito em buscar um jogo de soma positiva, em que todos os lados ganham”, ponderou.
Escorregada
Serra saiu em defesa de Índio da Costa, após a conturbada escolha de seu vice na convensão do DEM. O tucano também cometeu uma gafe com seu mais novo parceiro. “O Indio foi um namorador, não sei se continua… hoje ele só tem uma namorada. Ele me disse por telefone ‘não tenho amantes’. Eu disse ‘não precisa exagerar, mas tem que ser uma coisa discreta’. Não estou pregando aqui pular cerca no casamento, mas também não precisa exagerar”, comentou Serra, ao falar sobre a ex-mulher de Índio da Costa, Rafaella Cacciola, que é filha do banqueiro Salvatore Cacciola, condenado a 13 anos de prisão pelos crimes de peculato e gestão fraudulenta.
Costa a deixou, casou-se novamente e outra vez separou-se. Os tucanos a tratam com ex-namorada do candidato a vice na chapa de Serra.
(Da Rede Brasil Atual.)
A Agentes da Cidadania pede passagem:
"www.agentesdacidadania.org.br"
São Paulo – O candidato do PSDB à presidência da república, José Serra, fez críticas ao Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a outras organizações sociais que lutam por reforma agrária. Também disparou contra ONGs ambientalistas, acusando-as de “terrorismo”. As afirmações foram feitas nesta quinta-feira (1º), durantesabatina organizada pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), em Brasília. Dos três principais concorrentes ao Planalto, ele foi o único presente ao evento (confira box).
O evento teve presença maciça de senadores e deputados da bancada ruralista no Congresso, além de representantes de setores do agronegócio e do recém-promovido candidato a vice-presidente na chapa de oposição, deputado Indio da Costa (DEM-RJ). A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da CNA, abriu a sabatina, apontando o que considera entraves ao pleno exercício do livre-mercado da agricultura e da pecuária.
Suas críticas passaram pela atuação dos movimentos sociais ligados à posse da terra, como o MST e a Contag, pelos gargalos de infraestrutura para o escoamento da produção, a carga tributária incidente sobre insumos e sobre a comercialização dos produtos agrícolas e pelo que chamou de “terrorismo ambiental”, referindo-se à defesa, por ONGs e movimentos sociais, de áreas de preservação, territórios indígenas e quilombolas etc.
“O importante é que devemos buscar a prevalência da competitividade. Estamos abrindo mão de áreas altamente produtivas em nome da preservação”, prometeu. Uma das principais demandas dos ruralistas é a ampliação da fronteira agropecuária, especialmente no Norte e Centro-Oeste, sobre áreas da Amazônia Legal.
Aridez e promessas
Mesmo sem entusiasmar os presentes, Serra fez promessas que provocaram aplausos. Entre elas, a de que vai investir no que chamou de “defensivo (agrícola) genérico”. Sem entrar em detalhes, ele justificou a premissa dizendo que o mercado desse tipo de insumo “está muito oligopolizado”, controlado por um grupo pequeno de empresas – fenômeno que ocorre também no mercado internacional.
O tucano afirmou também que vai criar um seguro e garantia de preço mínimo para a produção e que, se eleito vai acumular os cargos de presidente e de superintendente do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). A “promessa” foi feita ao responder a um produtor rural instalado naquela região, que se queixava do rigor dos monitoramentos por satélite, que normalmente indicam grande quantidade de focos de desmatamentos ilegais.
Barulho
No último bloco da sabatina, Serra foi questionado se achava possível e como faria para resolver os conflitos de interesses entre o agronegócio e as questões ambientais. Foi o único momento em que o candidato mostrou-se incomodado. “A Marina estava certa em querer saber as perguntas antes”, esbravejou.
A resposta foi evasiva, mas mostrou que ele preferiu agradar, ao menos parcialmente, os presentes. “Acredito na razão. Tem que ter um projeto e ouvir os representantes de todos os lados. Estas questões têm que ter um encaminhamento objetivo. Tem setores que defendem interesses pequenos, mas são barulhentos. Acredito em buscar um jogo de soma positiva, em que todos os lados ganham”, ponderou.
Escorregada
Serra saiu em defesa de Índio da Costa, após a conturbada escolha de seu vice na convensão do DEM. O tucano também cometeu uma gafe com seu mais novo parceiro. “O Indio foi um namorador, não sei se continua… hoje ele só tem uma namorada. Ele me disse por telefone ‘não tenho amantes’. Eu disse ‘não precisa exagerar, mas tem que ser uma coisa discreta’. Não estou pregando aqui pular cerca no casamento, mas também não precisa exagerar”, comentou Serra, ao falar sobre a ex-mulher de Índio da Costa, Rafaella Cacciola, que é filha do banqueiro Salvatore Cacciola, condenado a 13 anos de prisão pelos crimes de peculato e gestão fraudulenta.
Costa a deixou, casou-se novamente e outra vez separou-se. Os tucanos a tratam com ex-namorada do candidato a vice na chapa de Serra.
(Da Rede Brasil Atual.)
A Agentes da Cidadania pede passagem:
"www.agentesdacidadania.org.br"
Assinar:
Postagens (Atom)