http://www.youtube.com/watch?v=yFkt0O7lceA
Video onde esta bela e sincera, professora apresenta uma síntese dialética da situação da educação no Brasil
Célula Vermelha
"Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a primavera inteira!" CHE
Mobilização na Paulista
Integrantes da Célula na mobilização da Paulista
Mobilização na Av. Paulista
Cerca de 40 mil professores da rede Estadual de ensino tomaram à Av. Paulista nesta sexta dia 12/03/2010
quinta-feira, 19 de maio de 2011
sábado, 14 de maio de 2011
A revolução pela paz começa em nós mesmos
10 de maio de 2011 às 17:02h
Satiagraha está longe de ser apenas o nome da operação desencadeada pela Polícia Federal, em 2004, contra a roubalheira de dinheiro público comandada por políticos, empresários e funcionários públicos. A palavra designa também o princípio da não-agressão e da revolução pela paz, preconizado pelo líder espiritual indiano Mahatma Gandhi, conhecido como Satyagraha (com “y”, em sânscrito).
Concebido inicialmente como um movimento pacífico de resistência da nação indiana à opressão do império britânico, na primeira metade do século XX, o termo passou a inspirar os ativistas da não violência, em todos os cantos do planeta.
Engana-se quem pensa, porém, que Gandhi cunhou o termo na intenção de sacralizar o povo indiano e demonizar o inglês. A revolução que propunha incluía todos e se assentava em uma mudança radical dos paradigmas morais dos próprios oprimidos, tanto quanto dos opressores. “A única revolução possível é dentro de nós”, dizia.
Mais de oitenta anos após sua criação, este conceito nunca esteve tão atual como no Brasil de maio de 2011, que se ocupa de infindáveis discussões sobre a eficácia da Campanha do Desarmamento, lançada no Rio de Janeiro pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, no último dia 6.
Há um evidente, e grave, equívoco no modo como este debate tem sido fomentado, sobretudo pela grande mídia. Como de costume, parte expressiva dos veículos de comunicação de massa discutem este tema complexo de maneira quase sempre superficial e ingênua, quando não parcial e preconceituosa.
Atingem este primor do mau jornalismo aplicando uma grossa camada de verniz paternalista ao assunto, atribuindo unicamente às autoridades públicas a responsabilidade pela solução do problema e classificando de inútil ou demagógica qualquer tentativa de pacificar o povo por meio de campanhas educativas de massa.
Não dizem, porém, o que mais se espera deles: a verdade. É óbvio que o Estado é o principal gladiador na arena na qual se trava o combate à violência. Mas não é o único.
Este flagelo social só será reduzido a níveis toleráveis se houver um permamente e profundo envolvimento da sociedade, de três formas distintas: na denúncia impiedosa dos criminosos à Justiça, na criação de mecanismos coletivos de fiscalização e controle (a polícia comunitária, por exemplo) e, acima de tudo, no rompimento radical com a cultura da violência que invade mentes e corações de boa parte dos cidadãos.
Disto decorre que não são apenas os criminosos os arautos da criminalidade. São também todos aqueles que coadunam ou praticam atos de violência, nas suas mais variadas expressões. Acreditar que o locus da violência são apenas as favelas e presídios é pura expressão de preconceito. Seu habitat é o tecido social. E seu núcleo está dentro dos lares de muitos de nós.
Há muita coisa em comum entre os autores dos 50.113 homicídios que ocorreram em 2008 (último dado oficial do Ministério da Justiça) e os irresponsáveis que matam suas vítimas no trânsito – nada menos que 42 mil cidadãos, anualmente, segundo o portal SOS Estradas. Gênero de violência que também chamamos de imprudência.
Não é diferente o que ocorre com os marginais travestidos de torcedores de futebol que matam amantes do esporte, estupidamente, dentro e fora dos estádios. Gênero de violência que também chamamos de vandalismo.
Idem em relação aos canalhas da latinha que, sem compromisso nenhum com o desenvolvimento sócio-cultural deste País, veiculam programas de rádio e TV calcados no “mundocanismo” apenas para ganhar dinheiro às custas da miséria humana. Gênero de violência que também chamamos de sensacionalismo.
O mesmo raciocínio se aplica, ainda, aos que torturam ou matam animais em nome da ciência (nos laboratórios), da diversão (nos rodeios), do progresso (nas florestas) ou da ambição (nos canis, gatis, pet shops e aviários de produção em massa). Gênero de violência que também chamamos de crueldade.
Imprudência, vandalismo, sensacionalismo e crueldade são facetas diferentes de um mesmo prisma a nos provar que a violência, tal qual a paz, pode estar dentro de cada um de nós. Assim como o gentleman Dr. Jekyll e o psicopata Mr. Hyde, personagens em conflito que se fundem no mesmo ser no clássico “O Médico e o Monstro”, livro de ficção científica publicado em 1886, pelo escocês Robert Louis Stevenson.
Como diria Gandhi na sua pregação em defesa da aplicação do Satyagraha, a revolução pela paz tem que começar dentro de cada um de nós, porque assim como todas as formas de violência, é em nós que pode estar sua origem. O resto é puro exercício de retórica.
Satiagraha está longe de ser apenas o nome da operação desencadeada pela Polícia Federal, em 2004, contra a roubalheira de dinheiro público comandada por políticos, empresários e funcionários públicos. A palavra designa também o princípio da não-agressão e da revolução pela paz, preconizado pelo líder espiritual indiano Mahatma Gandhi, conhecido como Satyagraha (com “y”, em sânscrito).
Concebido inicialmente como um movimento pacífico de resistência da nação indiana à opressão do império britânico, na primeira metade do século XX, o termo passou a inspirar os ativistas da não violência, em todos os cantos do planeta.
Engana-se quem pensa, porém, que Gandhi cunhou o termo na intenção de sacralizar o povo indiano e demonizar o inglês. A revolução que propunha incluía todos e se assentava em uma mudança radical dos paradigmas morais dos próprios oprimidos, tanto quanto dos opressores. “A única revolução possível é dentro de nós”, dizia.
Mais de oitenta anos após sua criação, este conceito nunca esteve tão atual como no Brasil de maio de 2011, que se ocupa de infindáveis discussões sobre a eficácia da Campanha do Desarmamento, lançada no Rio de Janeiro pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, no último dia 6.
Há um evidente, e grave, equívoco no modo como este debate tem sido fomentado, sobretudo pela grande mídia. Como de costume, parte expressiva dos veículos de comunicação de massa discutem este tema complexo de maneira quase sempre superficial e ingênua, quando não parcial e preconceituosa.
Atingem este primor do mau jornalismo aplicando uma grossa camada de verniz paternalista ao assunto, atribuindo unicamente às autoridades públicas a responsabilidade pela solução do problema e classificando de inútil ou demagógica qualquer tentativa de pacificar o povo por meio de campanhas educativas de massa.
Não dizem, porém, o que mais se espera deles: a verdade. É óbvio que o Estado é o principal gladiador na arena na qual se trava o combate à violência. Mas não é o único.
Este flagelo social só será reduzido a níveis toleráveis se houver um permamente e profundo envolvimento da sociedade, de três formas distintas: na denúncia impiedosa dos criminosos à Justiça, na criação de mecanismos coletivos de fiscalização e controle (a polícia comunitária, por exemplo) e, acima de tudo, no rompimento radical com a cultura da violência que invade mentes e corações de boa parte dos cidadãos.
Disto decorre que não são apenas os criminosos os arautos da criminalidade. São também todos aqueles que coadunam ou praticam atos de violência, nas suas mais variadas expressões. Acreditar que o locus da violência são apenas as favelas e presídios é pura expressão de preconceito. Seu habitat é o tecido social. E seu núcleo está dentro dos lares de muitos de nós.
Há muita coisa em comum entre os autores dos 50.113 homicídios que ocorreram em 2008 (último dado oficial do Ministério da Justiça) e os irresponsáveis que matam suas vítimas no trânsito – nada menos que 42 mil cidadãos, anualmente, segundo o portal SOS Estradas. Gênero de violência que também chamamos de imprudência.
Não é diferente o que ocorre com os marginais travestidos de torcedores de futebol que matam amantes do esporte, estupidamente, dentro e fora dos estádios. Gênero de violência que também chamamos de vandalismo.
Idem em relação aos canalhas da latinha que, sem compromisso nenhum com o desenvolvimento sócio-cultural deste País, veiculam programas de rádio e TV calcados no “mundocanismo” apenas para ganhar dinheiro às custas da miséria humana. Gênero de violência que também chamamos de sensacionalismo.
O mesmo raciocínio se aplica, ainda, aos que torturam ou matam animais em nome da ciência (nos laboratórios), da diversão (nos rodeios), do progresso (nas florestas) ou da ambição (nos canis, gatis, pet shops e aviários de produção em massa). Gênero de violência que também chamamos de crueldade.
Imprudência, vandalismo, sensacionalismo e crueldade são facetas diferentes de um mesmo prisma a nos provar que a violência, tal qual a paz, pode estar dentro de cada um de nós. Assim como o gentleman Dr. Jekyll e o psicopata Mr. Hyde, personagens em conflito que se fundem no mesmo ser no clássico “O Médico e o Monstro”, livro de ficção científica publicado em 1886, pelo escocês Robert Louis Stevenson.
Como diria Gandhi na sua pregação em defesa da aplicação do Satyagraha, a revolução pela paz tem que começar dentro de cada um de nós, porque assim como todas as formas de violência, é em nós que pode estar sua origem. O resto é puro exercício de retórica.
Lei da selva
Lei da selva
Mauricio Dias
13 de maio de 2011 às 13:25h
O debate do Código Florestal mostra a diferença entre ecologia e lealdade
Nos últimos 20 anos, período que sucede o fim da ditadura aos dias de hoje, nenhum governo contou com base de apoio político no Congresso tão grande quanto o recém-iniciado governo de Dilma Rousseff. O rolo compressor governista (59 parlamentares no Senado e 402 na Câmara), se usado, tem peso suficiente para esmagar a oposição. Mas, para isso, seria preciso ser reunido a um só toque de corneta. E isso não tem sido possível.
Entre presidentes eleitos pelas urnas, após o governo Sarney, escolhido indiretamente, a situação na Câmara mostra o tamanho do apoio que, em tese, beneficia Dilma (tabela). Collor teve minoria, Itamar compôs uma maioria frágil, Fernando Henrique navegou em mar sereno e Lula governou com maioria apertada no primeiro e folgou no segundo mandato.
Sob Dilma, o expressivo governismo no Congresso ainda está em crescimento.
A oposição partidária, ao contrário, pode encolher mais pela diáspora em direção ao PSD, partido criado pelo prefeito paulistano, Gilberto Kassab. Ela conta, hoje, com pouco mais de cem integrantes, somados os do PSDB, do DEM, PPS e PV. À esquerda, o PSOL. E esse número pode minguar para 90 na Câmara. No Senado, os atuais 22 oposicionistas devem baixar para 20 ou 19.
A base governista, no entanto, não é consistente. Houve sintomas de fragilidade na votação do novo índice do salário mínimo para 2011. Ficou clara agora essa fraqueza com a fratura exposta durante a penosa e inacabada votação do Código Florestal.
Os líderes governistas não conseguem nem mesmo impor o fechamento de questão sob a qual os infiéis à linha oficial do partido podem ser punidos.
Por que uma base política tão grande tem se mostrado tão frágil?
Primeiramente, porque é grande demais ou, como constata Antonio Augusto de Queiroz, coordenador do Diap, o tamanho e a consistência esbarram na “heterogeneidade”.
“A base governista cresceu em quantidade e em qualidade. Mas tem uma variedade de interesses que emergem em votações difíceis como a do Código Florestal”, diz Queiroz, um cientista político quase insuperável quando se trata de avaliar as variações de comportamento no Congresso Nacional.
“Se dependesse somente da vontade do governo, seria mais fácil. O tema, entretanto, com grande repercussão na mídia, força o governo a negociar para tentar reduzir um impacto maior no plano internacional”, avalia.
A ecologia é, sem dúvida, um fato de real importância para o Brasil e para o mundo. Entretanto, a lealdade ambientalista dos políticos, aqui e alhures, nunca foi nem será maior do que a lealdade aos governos.
Essa regra pode ser mais claramente compreendida assim: os políticos são leais aos partidos, que, por sua vez, devem lealdade aos governos que se aliam em troca da participação nas administrações.
Nesse sentido, não há ninguém satisfeito na base governista. Dilma tenta, numa cruzada virtuosa, na qual tem colhido vitórias e derrotas, blindar o quanto possível o excesso de interesses políticos na administração. E, nas instâncias governamentais mais distantes, luta para impor nomes tecnicamente qualificados.
Isso é visível em algumas das ações de Dilma e audíveis em alguns dos discursos que faz. Ela semeia o vento da boa intenção e, muitas vezes, como agora na votação do Código Florestal, colhe tempestade.
Andante Mosso
Comentários sobre os principais acontecimentos políticos da semana
Alô, papai!
Neguinho da Beija-Flor de Nilópolis, campeã do carnaval carioca de 2011, acaba de se filiar ao PCdoB.
Esse enaltecido puxador de samba será escalado para puxar votos em 2012.
Nos discos, ele costuma saudar o bicheiro Anísio Abraão, “dono” de Nilópolis, na Baixada Fluminense, com a frase: “Alô papai, a família Beija-Flor te ama!”
É uma infiltração consentida dos bicheiros nas fileiras comunistas.
A cor de Marina
Há rumores no mundo político sobre o futuro da ex-senadora Marina Silva (PV).
Ela seria um possível trunfo político-eleitoral da direita para a eleição presidencial de 2014. Encabeçando ou secundando uma aliança conservadora.
O multicolorido do movimento verde favorece a especulação.
O mundo gira
O fantasma do “imperialismo” brasileiro ronda a cabeça dos hermanos.
Ao jornal argentino Página 12, de 10 de maio, o diplomata Samuel Pinheiro, escolhido em comum acordo – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai – para representar
o Mercosul, explicou a posição brasileira no bloco:
“Não é um império, não quer ser e nem quer repetir os erros dos impérios (…) Temos interesses comuns para mudar as regras do mundo”.
Ou seja, alterar a cruel relação das potências centrais com as ex-colônias.
“Loco Abreu”
Militante aguerrido do PT, o ator José de Abreu já ganhou apelido carinhoso dentro do partido: “É o nosso Loco Abreu”.
Uma referência ao uruguaio que atua no Botafogo, do Rio de Janeiro, um atleta de qualidade e de jogadas arriscadas.
Pátria Livre
Vem aí o Partido Pátria Livre (PPL), formado por militantes do MR-8.
A sigla é referência e homenagem à data da prisão de Che Guevara na Bolívia, em 1967. Já foram coletadas e já foram reconhecidas em cartório, por exigência da legislação, mais de 400 mil assinaturas.
Embora ainda no ventre, o PPL que tem como expressão sindical a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), contou com apoio da Força Sindical.
O MR-8 atuou durante anos no PMDB, alimentado pelo ex-governador paulista Orestes Quércia.
Para atuar nas eleições de 2012 terá de obter registro oficial até setembro.
Em alta
Com poucos recursos, mas com ativa participação da militância, Marcelo Freixo, do PSOL, recebeu a segunda maior votação para a Assembleia do Rio de Janeiro.
Morador e eleitor de Niterói, ele arrancou uma expressiva votação na capital.
Assim, virou o nome que os militantes sonham para a disputa da prefeitura do Rio ou de Niterói, em 2012.
Como parece, no entanto, sem chances, há os que preferem que ele permaneça onde está, embora seja notório que, se empurrado para a missão, fortaleceria o partido de um lado ou de outro da Baía de Guanabara.
Lula e o emprego
Em 2010, foi registrado um número recorde de geração de empregos com carteira assinada e de servidores públicos contratados: 2,8 milhões.
A soma do trabalho formal chegou a 44,1 milhões pela Relação Anual de Informações Sociais (Rais), iniciada em 1975.
Acima de um terço, 15,3 milhões, foram criados nos dois mandatos de Lula.
Mais de 5 milhões no setor de serviços, cerca de 3,5 milhões na indústria de transformação, e pouco mais de 2 milhões no serviço público (tabela).
Mauricio Dias
Maurício Dias é jornalista, editor especial e colunista da edição impressa de CartaCapital. A versão completa de sua coluna é publicada semanalmente na
Mauricio Dias
13 de maio de 2011 às 13:25h
O debate do Código Florestal mostra a diferença entre ecologia e lealdade
Nos últimos 20 anos, período que sucede o fim da ditadura aos dias de hoje, nenhum governo contou com base de apoio político no Congresso tão grande quanto o recém-iniciado governo de Dilma Rousseff. O rolo compressor governista (59 parlamentares no Senado e 402 na Câmara), se usado, tem peso suficiente para esmagar a oposição. Mas, para isso, seria preciso ser reunido a um só toque de corneta. E isso não tem sido possível.
Entre presidentes eleitos pelas urnas, após o governo Sarney, escolhido indiretamente, a situação na Câmara mostra o tamanho do apoio que, em tese, beneficia Dilma (tabela). Collor teve minoria, Itamar compôs uma maioria frágil, Fernando Henrique navegou em mar sereno e Lula governou com maioria apertada no primeiro e folgou no segundo mandato.
Sob Dilma, o expressivo governismo no Congresso ainda está em crescimento.
A oposição partidária, ao contrário, pode encolher mais pela diáspora em direção ao PSD, partido criado pelo prefeito paulistano, Gilberto Kassab. Ela conta, hoje, com pouco mais de cem integrantes, somados os do PSDB, do DEM, PPS e PV. À esquerda, o PSOL. E esse número pode minguar para 90 na Câmara. No Senado, os atuais 22 oposicionistas devem baixar para 20 ou 19.
A base governista, no entanto, não é consistente. Houve sintomas de fragilidade na votação do novo índice do salário mínimo para 2011. Ficou clara agora essa fraqueza com a fratura exposta durante a penosa e inacabada votação do Código Florestal.
Os líderes governistas não conseguem nem mesmo impor o fechamento de questão sob a qual os infiéis à linha oficial do partido podem ser punidos.
Por que uma base política tão grande tem se mostrado tão frágil?
Primeiramente, porque é grande demais ou, como constata Antonio Augusto de Queiroz, coordenador do Diap, o tamanho e a consistência esbarram na “heterogeneidade”.
“A base governista cresceu em quantidade e em qualidade. Mas tem uma variedade de interesses que emergem em votações difíceis como a do Código Florestal”, diz Queiroz, um cientista político quase insuperável quando se trata de avaliar as variações de comportamento no Congresso Nacional.
“Se dependesse somente da vontade do governo, seria mais fácil. O tema, entretanto, com grande repercussão na mídia, força o governo a negociar para tentar reduzir um impacto maior no plano internacional”, avalia.
A ecologia é, sem dúvida, um fato de real importância para o Brasil e para o mundo. Entretanto, a lealdade ambientalista dos políticos, aqui e alhures, nunca foi nem será maior do que a lealdade aos governos.
Essa regra pode ser mais claramente compreendida assim: os políticos são leais aos partidos, que, por sua vez, devem lealdade aos governos que se aliam em troca da participação nas administrações.
Nesse sentido, não há ninguém satisfeito na base governista. Dilma tenta, numa cruzada virtuosa, na qual tem colhido vitórias e derrotas, blindar o quanto possível o excesso de interesses políticos na administração. E, nas instâncias governamentais mais distantes, luta para impor nomes tecnicamente qualificados.
Isso é visível em algumas das ações de Dilma e audíveis em alguns dos discursos que faz. Ela semeia o vento da boa intenção e, muitas vezes, como agora na votação do Código Florestal, colhe tempestade.
Andante Mosso
Comentários sobre os principais acontecimentos políticos da semana
Alô, papai!
Neguinho da Beija-Flor de Nilópolis, campeã do carnaval carioca de 2011, acaba de se filiar ao PCdoB.
Esse enaltecido puxador de samba será escalado para puxar votos em 2012.
Nos discos, ele costuma saudar o bicheiro Anísio Abraão, “dono” de Nilópolis, na Baixada Fluminense, com a frase: “Alô papai, a família Beija-Flor te ama!”
É uma infiltração consentida dos bicheiros nas fileiras comunistas.
A cor de Marina
Há rumores no mundo político sobre o futuro da ex-senadora Marina Silva (PV).
Ela seria um possível trunfo político-eleitoral da direita para a eleição presidencial de 2014. Encabeçando ou secundando uma aliança conservadora.
O multicolorido do movimento verde favorece a especulação.
O mundo gira
O fantasma do “imperialismo” brasileiro ronda a cabeça dos hermanos.
Ao jornal argentino Página 12, de 10 de maio, o diplomata Samuel Pinheiro, escolhido em comum acordo – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai – para representar
o Mercosul, explicou a posição brasileira no bloco:
“Não é um império, não quer ser e nem quer repetir os erros dos impérios (…) Temos interesses comuns para mudar as regras do mundo”.
Ou seja, alterar a cruel relação das potências centrais com as ex-colônias.
“Loco Abreu”
Militante aguerrido do PT, o ator José de Abreu já ganhou apelido carinhoso dentro do partido: “É o nosso Loco Abreu”.
Uma referência ao uruguaio que atua no Botafogo, do Rio de Janeiro, um atleta de qualidade e de jogadas arriscadas.
Pátria Livre
Vem aí o Partido Pátria Livre (PPL), formado por militantes do MR-8.
A sigla é referência e homenagem à data da prisão de Che Guevara na Bolívia, em 1967. Já foram coletadas e já foram reconhecidas em cartório, por exigência da legislação, mais de 400 mil assinaturas.
Embora ainda no ventre, o PPL que tem como expressão sindical a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), contou com apoio da Força Sindical.
O MR-8 atuou durante anos no PMDB, alimentado pelo ex-governador paulista Orestes Quércia.
Para atuar nas eleições de 2012 terá de obter registro oficial até setembro.
Em alta
Com poucos recursos, mas com ativa participação da militância, Marcelo Freixo, do PSOL, recebeu a segunda maior votação para a Assembleia do Rio de Janeiro.
Morador e eleitor de Niterói, ele arrancou uma expressiva votação na capital.
Assim, virou o nome que os militantes sonham para a disputa da prefeitura do Rio ou de Niterói, em 2012.
Como parece, no entanto, sem chances, há os que preferem que ele permaneça onde está, embora seja notório que, se empurrado para a missão, fortaleceria o partido de um lado ou de outro da Baía de Guanabara.
Lula e o emprego
Em 2010, foi registrado um número recorde de geração de empregos com carteira assinada e de servidores públicos contratados: 2,8 milhões.
A soma do trabalho formal chegou a 44,1 milhões pela Relação Anual de Informações Sociais (Rais), iniciada em 1975.
Acima de um terço, 15,3 milhões, foram criados nos dois mandatos de Lula.
Mais de 5 milhões no setor de serviços, cerca de 3,5 milhões na indústria de transformação, e pouco mais de 2 milhões no serviço público (tabela).
Mauricio Dias
Maurício Dias é jornalista, editor especial e colunista da edição impressa de CartaCapital. A versão completa de sua coluna é publicada semanalmente na
segunda-feira, 7 de março de 2011
De olho em Kassab, Alckmin escancara divergências com Serra
Da ponte Santos-Guarujá ao aluguel de blindados para a sua escolta, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, determinou a revisão de uma série de medidas herdadas do antecessor e também tucano José Serra. Antes restrita a um íntimo grupo, a divergência com Serra ficou notória e foi oficializada nos dois primeiros meses do governo Alckmin.
Segundo aliados, a movimentação de Gilberto Kassab (DEM) precipitou a exposição dessas medidas. Contrariados com a disposição do prefeito de São Paulo de concorrer ao governo em 2014, correligionários de Alckmin reclamam da falta de empenho de Serra para deter seu afilhado político.
Kassab deve fundar um partido que servirá como trampolim legal para futura fusão com o PSB. Ele levará o vice de Alckmin, Afif Domingos. No Bandeirantes, há a certeza de que Afif atuará por Kassab caso ele concorra contra Alckmin em 2014. Sem um vice, Alckmin teria dificuldades, por exemplo, para disputar a Presidência.
Enquanto isso, as discordâncias vem à tona. O governador fixou prazo de um mês para que sua equipe apresente proposta alternativa para duas obras encampadas por Serra: a ponte Santos-Guarujá e a implantação da linha de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) entre São Vicente e Santos.
Às vésperas de iniciar a corrida presidencial, Serra exibiu maquete da ponte que ligaria Santos a Guarujá. Mas, sob alegação de que o modelo impede o uso da base aérea como aeroporto comercial, o governo vai propor a construção de outra ponte.
No Diário Oficial, mais uma bicada entre tucanos: em fevereiro, saiu a rescisão do contrato de aluguel de carros blindados para transporte e escolta do governador e família. O governo não comenta o assunto alegando motivo de segurança.
Em outra decisão oposta à do antecessor, Alckmin decidiu vender o avião do estado — jato que ele próprio tentara vender em 2006. Ao assumir, Serra cancelou o processo. No fim do mês, Alckmin reativará, na Assembleia Legislativa, projeto de criação da macrometrópole paulista, que Serra havia engavetado.
O novo governo também identificou problemas técnicos em ações da gestão anterior. Trecho da linha 2 do Metrô, por exemplo, terá de ser redesenhado por questões ambientais. Foram identificadas 55 árvores nativas numa área reservada para a construção de um pátio.
Da Redação, com informações da Folha de S.Paulo
Segundo aliados, a movimentação de Gilberto Kassab (DEM) precipitou a exposição dessas medidas. Contrariados com a disposição do prefeito de São Paulo de concorrer ao governo em 2014, correligionários de Alckmin reclamam da falta de empenho de Serra para deter seu afilhado político.
Kassab deve fundar um partido que servirá como trampolim legal para futura fusão com o PSB. Ele levará o vice de Alckmin, Afif Domingos. No Bandeirantes, há a certeza de que Afif atuará por Kassab caso ele concorra contra Alckmin em 2014. Sem um vice, Alckmin teria dificuldades, por exemplo, para disputar a Presidência.
Enquanto isso, as discordâncias vem à tona. O governador fixou prazo de um mês para que sua equipe apresente proposta alternativa para duas obras encampadas por Serra: a ponte Santos-Guarujá e a implantação da linha de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) entre São Vicente e Santos.
Às vésperas de iniciar a corrida presidencial, Serra exibiu maquete da ponte que ligaria Santos a Guarujá. Mas, sob alegação de que o modelo impede o uso da base aérea como aeroporto comercial, o governo vai propor a construção de outra ponte.
No Diário Oficial, mais uma bicada entre tucanos: em fevereiro, saiu a rescisão do contrato de aluguel de carros blindados para transporte e escolta do governador e família. O governo não comenta o assunto alegando motivo de segurança.
Em outra decisão oposta à do antecessor, Alckmin decidiu vender o avião do estado — jato que ele próprio tentara vender em 2006. Ao assumir, Serra cancelou o processo. No fim do mês, Alckmin reativará, na Assembleia Legislativa, projeto de criação da macrometrópole paulista, que Serra havia engavetado.
O novo governo também identificou problemas técnicos em ações da gestão anterior. Trecho da linha 2 do Metrô, por exemplo, terá de ser redesenhado por questões ambientais. Foram identificadas 55 árvores nativas numa área reservada para a construção de um pátio.
Da Redação, com informações da Folha de S.Paulo
Base pode se unir em 2012 se Serra for candidato, diz Vaccarezza
O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), diz que a presidente Dilma Rousseff surpreendeu seu adversários ao mostrar que, “além de gestora, também é uma política hábil, que montou o ministério que queria e aprovou tudo no Congresso”.
Em entrevista a Tales Faria, do site Poder Online, do iG, Vaccarezza afirma que, nas eleições para prefeito de São Paulo, em 2012, o governo federal não se meterá. Mas, se o ex-governador José Serra, for candidato, ele crê que “ficará mais fácil unificar” os partidos da base aliada a Dilma em torno de um único candidato.
Poder Online: Qual o balanço deste período anterior ao Carnaval?
Cândido Vaccarezza: Podemos quase que fazer um balanço do primeiro trimestre. Ainda estão para sair as pesquisas de opinião sobre a popularidade da presidenta. Mas creio que o balanço é extremamente positivo para ela.
Poder Online: Por quê?
Cândido Vaccarezza: Ela venceu as eleições, mas uma parte da opinião pública temia que ela fosse apenas uma técnica, uma gestora. E a presidenta Dilma mostrou que também tem domínio da política. Montou o ministério que quis, administrando todas as forças. E teve uma grande vitória no Congresso na questão do salário mínimo. Além de outros fatores, como ter feito com que as eleições para presidente da Câmara e do Senado transcorressem sem sequelas.
Poder Online: Mas ela vai continuar vencendo assim no Congresso?
Cândido Vaccarezza: Veja o caso da medida provisória da Autoridade Pública Olímpica (APO). A oposição estava cheia de restrições, mas o texto foi aprovado com folga. E num momento difícil, em que o governo tinha anunciado o corte de R$ 50 bilhões no Orçamento da União, incluindo parte das emendas dos parlamentares.
Poder Online: Qual a projeção que o senhor faz para 2011?
Cândido Vaccarezza: Vai ser um período economicamente difícil. Mas chegaremos no final do ano com um crescimento razoável, de 4,5% do PIB.
Poder Online: Difícil também por conta da gastança eleitoral de 2010?
Cândido Vaccarezza: Não houve gastança eleitoral. O que houve foi uma crise mundial na economia em 2008 e 2009 que obrigou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a investir e a promover renúncias fiscais em 2009 e 2010, de forma a manter o ciclo de crescimento do país. Não fizemos isso por motivação eleitoral, mas porque era a fórmula adequada para enfrentar a crise.
Poder Online: Quais as prioridades do governo daqui para a frente?
Cândido Vaccarezza: Votar as medidas provisórias que paralisam a pauta do Congresso, e as políticas centrais do governo. Especialmente as matérias relativas à educação e às urgências sociais, como segurança e saúde.
Poder Online: Em termos de projetos…
Cândido Vaccarezza: Temos ideia, por exemplo, de colocar em pauta a desoneração das folhas de pagamentos das empresas. Mas temos que esperar o momento adequado, na medida em que também é prioridade segurar a inflação.
Poder Online: E a reforma política?
Cândido Vaccarezza: Essa é mais uma prioridade dos partidos do que do governo. Não está claro, para o governo, o resultado das comissões especiais sobre reforma política criadas na Câmara e no Senado.
Poder Online: Quanto à eleição para prefeito de São Paulo, como o governo vai se comportar?
Cândido Vaccarezza: Olha, 2012 ainda está longe. Mas eu, particularmente, tenho a impressão de que haverá uma pulverização de candidaturas. Tanto na base governista quanto na oposição. O governo poderá trabalhar pela unificação, mas será difícil. Creio num número grande de candidatos.
Poder Online: O governo nada fará, mesmo se o José Serra for candidato?
Cândido Vaccarezza: Aí fica mais fácil unificar os partidos que apoiam o governo.
Em entrevista a Tales Faria, do site Poder Online, do iG, Vaccarezza afirma que, nas eleições para prefeito de São Paulo, em 2012, o governo federal não se meterá. Mas, se o ex-governador José Serra, for candidato, ele crê que “ficará mais fácil unificar” os partidos da base aliada a Dilma em torno de um único candidato.
Poder Online: Qual o balanço deste período anterior ao Carnaval?
Cândido Vaccarezza: Podemos quase que fazer um balanço do primeiro trimestre. Ainda estão para sair as pesquisas de opinião sobre a popularidade da presidenta. Mas creio que o balanço é extremamente positivo para ela.
Poder Online: Por quê?
Cândido Vaccarezza: Ela venceu as eleições, mas uma parte da opinião pública temia que ela fosse apenas uma técnica, uma gestora. E a presidenta Dilma mostrou que também tem domínio da política. Montou o ministério que quis, administrando todas as forças. E teve uma grande vitória no Congresso na questão do salário mínimo. Além de outros fatores, como ter feito com que as eleições para presidente da Câmara e do Senado transcorressem sem sequelas.
Poder Online: Mas ela vai continuar vencendo assim no Congresso?
Cândido Vaccarezza: Veja o caso da medida provisória da Autoridade Pública Olímpica (APO). A oposição estava cheia de restrições, mas o texto foi aprovado com folga. E num momento difícil, em que o governo tinha anunciado o corte de R$ 50 bilhões no Orçamento da União, incluindo parte das emendas dos parlamentares.
Poder Online: Qual a projeção que o senhor faz para 2011?
Cândido Vaccarezza: Vai ser um período economicamente difícil. Mas chegaremos no final do ano com um crescimento razoável, de 4,5% do PIB.
Poder Online: Difícil também por conta da gastança eleitoral de 2010?
Cândido Vaccarezza: Não houve gastança eleitoral. O que houve foi uma crise mundial na economia em 2008 e 2009 que obrigou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a investir e a promover renúncias fiscais em 2009 e 2010, de forma a manter o ciclo de crescimento do país. Não fizemos isso por motivação eleitoral, mas porque era a fórmula adequada para enfrentar a crise.
Poder Online: Quais as prioridades do governo daqui para a frente?
Cândido Vaccarezza: Votar as medidas provisórias que paralisam a pauta do Congresso, e as políticas centrais do governo. Especialmente as matérias relativas à educação e às urgências sociais, como segurança e saúde.
Poder Online: Em termos de projetos…
Cândido Vaccarezza: Temos ideia, por exemplo, de colocar em pauta a desoneração das folhas de pagamentos das empresas. Mas temos que esperar o momento adequado, na medida em que também é prioridade segurar a inflação.
Poder Online: E a reforma política?
Cândido Vaccarezza: Essa é mais uma prioridade dos partidos do que do governo. Não está claro, para o governo, o resultado das comissões especiais sobre reforma política criadas na Câmara e no Senado.
Poder Online: Quanto à eleição para prefeito de São Paulo, como o governo vai se comportar?
Cândido Vaccarezza: Olha, 2012 ainda está longe. Mas eu, particularmente, tenho a impressão de que haverá uma pulverização de candidaturas. Tanto na base governista quanto na oposição. O governo poderá trabalhar pela unificação, mas será difícil. Creio num número grande de candidatos.
Poder Online: O governo nada fará, mesmo se o José Serra for candidato?
Cândido Vaccarezza: Aí fica mais fácil unificar os partidos que apoiam o governo.
O trágico preço do “progresso”
Complexo siderúrgico instalado no Rio de Janeiro comete crimes ambientais e viola direitos de pescadores e moradores da região.
Por Tatiana Merlino
De repente, numa madrugada de junho de 2010, uma chuva de prata caiu sobre a casa de dona Ivonete Martins. Tudo brilhava, como num sonho. Porém, quando a família acordou para ir trabalhar, deparou-se com a realidade: um pó prateado havia se espalhado por toda a casa. Telhado, sala, banheiro, cozinha. Até nas panelas ele estava. O pó foi parar no quarto de dona Ivonete, de 55 anos. Quando ia dormir, lá estava ele, brilhando. Dias depois, quando foi tomar banho, a mulher percebeu que até em seu corpo o pó estava grudado. Em seguida, começaram as coceiras. Parecia picada de mosquito. A cada dia, a coceira só aumentava, e foi se estendendo ao corpo todo. Depois de um tempo, até a palma das mãos e sola dos pés estavam tomados por alergias, que se transformaram em cascas. “Eu estava toda inchada”. Para combater a coceira, ela tentou de tudo. “Querosene, álcool, vinagre”. O desespero era tanto que ela pensou até em se matar. Para completar, dona Ivonete foi demitida do emprego, pois a senhora para quem trabalhava c mo empregada doméstica teve medo de ser contaminada com suas alergias. Em casa, disse ao marido: “Arrume outra mulher. Essa aqui não presta mais”.
A chuva de prata não banhou apenas a casa e o corpo de dona Ivonete. Seus vizinhos, moradoresdo bairro de Santa Cruz, na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, também foram atingidos com o pó metálico emitido pelo complexo siderúrgico ThyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA). De capital majoritariamente alemão, ligada ao grupo transnacional Tyssen Krupp (73,13%), com participação da Vale do Rio Doce (26,87%), a CSA foi anunciada como a siderúrgica mais moderna do mundo - recebeu investimentos de 5,2 bilhões de euros e vai produzir cinco milhões de toneladas por ano de placas de aço, exportadas para a Alemanha e Estados Unidos. É o maior investimento privado realizado no Brasil nos últimos 15 anos. Projetada para operar com dois imensos altos-fornos, além de uma termoelétrica e um terminal marítimo próprios, para se transformar na maior siderúrgica da América Latina, produzindo chapas de aço para exportação. Inaugurada em junho do ano passado, já foram anunciados planos de expansão das instala ões, com o objetivo de dobrar a planta e a produção originalmente prevista.
Crimes ambientais
Não por acaso, a região de Santa Cruz, local escolhido para a instalação da empresa é uma bairro periférico e pobre da cidade do Rio de Janeiro, situado na Baía de Sepetiba. Desde o início da construção da planta industrial, organizações e movimentos vem denunciando crimes ambientais, violações de direitos humanos, desrespeito às normas de licenciamento ambiental e à legislação trabalhista. “É justamente nessas áreas mais empobrecidas, onde há população sem poder político e econômico, que o poder público não chega, que esses empreendimentos se instalam”, explica Karina Kato, do Instituto de Políticas Alternativas do Cone Sul (Pacs), que desde a chegada da CSA apóia a luta da comunidade da Baía de Sepetiba contra o empreendimento. Segundo ela, “a área funciona como uma “zona de sacrifício” para manter o modelo de desenvolvimento do Rio de Janeiro, o tão propagado progresso, uma nova onda de dinamismo para o Estado, como diz o Sergio Cabral. É interessante e extremamente triste porque essa é a visão de Estado o Rio de Janeiro e eu arrisco dizer que é a visão de Estado para o Estado Federal”, critica.
Para ler a reportagem completa e outras matérias confira edição de fevereiro da revista Caros Amigos, já nas bancas, ou clique aqui e compre a versão digital da Caros Amigos.
Por Tatiana Merlino
De repente, numa madrugada de junho de 2010, uma chuva de prata caiu sobre a casa de dona Ivonete Martins. Tudo brilhava, como num sonho. Porém, quando a família acordou para ir trabalhar, deparou-se com a realidade: um pó prateado havia se espalhado por toda a casa. Telhado, sala, banheiro, cozinha. Até nas panelas ele estava. O pó foi parar no quarto de dona Ivonete, de 55 anos. Quando ia dormir, lá estava ele, brilhando. Dias depois, quando foi tomar banho, a mulher percebeu que até em seu corpo o pó estava grudado. Em seguida, começaram as coceiras. Parecia picada de mosquito. A cada dia, a coceira só aumentava, e foi se estendendo ao corpo todo. Depois de um tempo, até a palma das mãos e sola dos pés estavam tomados por alergias, que se transformaram em cascas. “Eu estava toda inchada”. Para combater a coceira, ela tentou de tudo. “Querosene, álcool, vinagre”. O desespero era tanto que ela pensou até em se matar. Para completar, dona Ivonete foi demitida do emprego, pois a senhora para quem trabalhava c mo empregada doméstica teve medo de ser contaminada com suas alergias. Em casa, disse ao marido: “Arrume outra mulher. Essa aqui não presta mais”.
A chuva de prata não banhou apenas a casa e o corpo de dona Ivonete. Seus vizinhos, moradoresdo bairro de Santa Cruz, na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, também foram atingidos com o pó metálico emitido pelo complexo siderúrgico ThyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA). De capital majoritariamente alemão, ligada ao grupo transnacional Tyssen Krupp (73,13%), com participação da Vale do Rio Doce (26,87%), a CSA foi anunciada como a siderúrgica mais moderna do mundo - recebeu investimentos de 5,2 bilhões de euros e vai produzir cinco milhões de toneladas por ano de placas de aço, exportadas para a Alemanha e Estados Unidos. É o maior investimento privado realizado no Brasil nos últimos 15 anos. Projetada para operar com dois imensos altos-fornos, além de uma termoelétrica e um terminal marítimo próprios, para se transformar na maior siderúrgica da América Latina, produzindo chapas de aço para exportação. Inaugurada em junho do ano passado, já foram anunciados planos de expansão das instala ões, com o objetivo de dobrar a planta e a produção originalmente prevista.
Crimes ambientais
Não por acaso, a região de Santa Cruz, local escolhido para a instalação da empresa é uma bairro periférico e pobre da cidade do Rio de Janeiro, situado na Baía de Sepetiba. Desde o início da construção da planta industrial, organizações e movimentos vem denunciando crimes ambientais, violações de direitos humanos, desrespeito às normas de licenciamento ambiental e à legislação trabalhista. “É justamente nessas áreas mais empobrecidas, onde há população sem poder político e econômico, que o poder público não chega, que esses empreendimentos se instalam”, explica Karina Kato, do Instituto de Políticas Alternativas do Cone Sul (Pacs), que desde a chegada da CSA apóia a luta da comunidade da Baía de Sepetiba contra o empreendimento. Segundo ela, “a área funciona como uma “zona de sacrifício” para manter o modelo de desenvolvimento do Rio de Janeiro, o tão propagado progresso, uma nova onda de dinamismo para o Estado, como diz o Sergio Cabral. É interessante e extremamente triste porque essa é a visão de Estado o Rio de Janeiro e eu arrisco dizer que é a visão de Estado para o Estado Federal”, critica.
Para ler a reportagem completa e outras matérias confira edição de fevereiro da revista Caros Amigos, já nas bancas, ou clique aqui e compre a versão digital da Caros Amigos.
sábado, 5 de março de 2011
Crítica de Andrea Matarazzo a Alckmin reacende racha tucano
Aliados do governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) consideraram "gravíssimo" o conteúdo do telegrama revelado pelo site WikiLeaks, que envolve conversas entre o atual secretário de Cultura de São Paulo, Andrea Matarazzo, e diplomatas norte-americanos em 2006.
Reservadamente, eles dizem que o documento tem potencial de reacender a traumática disputa interna do PSDB durante a eleição presidencial daquele ano, quando Alckmin foi candidato ao Palácio do Planalto sem contar com o apoio total do partido.
À época do despacho interceptado pelo WikiLeaks, Matarazzo era secretário das Subprefeituras da capital paulista, então administrada por José Serra. Segundo o telegrama, diplomatas consultaram Matarazzo sobre as chances reais de Alckmin bater Lula nas urnas.
Em resposta, afirma o texto, Matarazzo intitulou-se "serrista", fez duras críticas aos alckmistas – classificando-os como "baixo clero" – e ligou o governador paulista ao Opus Dei, prelazia conservadora da Igreja Católica. Em um trecho, Matarazzo teria dito que Serra e o senador Aécio Neves não queriam a vitória de Alckmin, e que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso o apoiava "sem qualquer entusiasmo".
Tucanos próximos a Alckmin avaliam que Matarazzo não deve ser sacado do governo agora para que a medida não soe como retaliação. Mas consideram que a revelação do telegrama estremece a relação entre os dois e agrava a crise no partido.
Além disso, as críticas de Matarazzo têm potencial de reacender a disputa entre o grupo de tucanos ligados a Serra e o grupo ligado a Alckmin, hoje acomodados na estrutura do governo paulista.
Da Redação, com informações da Agência Estado
retirado do link abaixo: 05/03/2011 17:20
http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=148991&id_secao=1
Reservadamente, eles dizem que o documento tem potencial de reacender a traumática disputa interna do PSDB durante a eleição presidencial daquele ano, quando Alckmin foi candidato ao Palácio do Planalto sem contar com o apoio total do partido.
À época do despacho interceptado pelo WikiLeaks, Matarazzo era secretário das Subprefeituras da capital paulista, então administrada por José Serra. Segundo o telegrama, diplomatas consultaram Matarazzo sobre as chances reais de Alckmin bater Lula nas urnas.
Em resposta, afirma o texto, Matarazzo intitulou-se "serrista", fez duras críticas aos alckmistas – classificando-os como "baixo clero" – e ligou o governador paulista ao Opus Dei, prelazia conservadora da Igreja Católica. Em um trecho, Matarazzo teria dito que Serra e o senador Aécio Neves não queriam a vitória de Alckmin, e que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso o apoiava "sem qualquer entusiasmo".
Tucanos próximos a Alckmin avaliam que Matarazzo não deve ser sacado do governo agora para que a medida não soe como retaliação. Mas consideram que a revelação do telegrama estremece a relação entre os dois e agrava a crise no partido.
Além disso, as críticas de Matarazzo têm potencial de reacender a disputa entre o grupo de tucanos ligados a Serra e o grupo ligado a Alckmin, hoje acomodados na estrutura do governo paulista.
Da Redação, com informações da Agência Estado
retirado do link abaixo: 05/03/2011 17:20
http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=148991&id_secao=1
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