Célula Vermelha

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"Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a primavera inteira!" CHE

Mobilização na Paulista

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Cerca de 40 mil professores da rede Estadual de ensino tomaram à Av. Paulista nesta sexta dia 12/03/2010

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Eu Sou Neguinho - Joel Zito Araújo

Joel Zito Araújo*

O meu amigo Caetano, que no debate público é um provocador tão genial quanto na arte, também é, sem dúvidas, um atento observador da realidade racial brasileira desde jovem, quando Dona Canô gritava "meu filho corra, venha ver na TV aquele preto de que você tanto gosta!". Ou quando se irritou ao ver jovens de esquerda chamando Clementina de Jesus de macaca no Teatro Paramount, em 1968. Ou quando não deixou o país esquecer que o Haiti é também aqui. Mas agora, depois de tão bela história, depois de ter produzido poemas tão poderosos e belos sobre a negritude baiana, ele parece acreditar que o país acompanhou a sua cabeça e seu desejo de viver em uma democracia pós-racial.
O Brasil pós-racial é uma meta que compartilho, mas ainda é uma ficção. O dramaturgo Harold Pinter já disse que, na exploração da realidade por meio da arte, "não há distinções explícitas entre o que é real e o que é irreal, tampouco entre o que é verdadeiro e o que é falso". Mas que diferenciar essas condições é fundamental para o exercício da cidadania. É necessário dizer para o querido Caetano que não é coerente ter feito uma obra tão magnífica e assinar um manifesto contra cotas para jovens negros pobres na universidade.
E assim, mesmo agradecido pelo que ele fez, tenho que, atendendo a sua provocação (ver coluna de Jorge Moreno de 07/06/08), vir aqui dizer que a "realidade lá fora" continua brutal para aqueles que são "negros ou quase-negros de tão pobres". Eles continuam com suas chances de ascensão social condicionadas à cor de suas peles em estruturas seculares que reproduzem o racismo nos bancos escolares, na nossa TV, no sistema de saúde, no mercado de trabalho, na violência policial...
Não é possível ignorar as cotas como um movimento natural e necessário, apesar das imperfeições no processo. Diante da revolta contra sua condição de grupos populacionais excluídos, negros e índios lutam por uma reparação histórica, lutam por seus direitos. Hoje, por trás da emergência identitária destes grupos está a busca pelo reconhecimento dos direitos de partilha das riquezas materiais do país (partilha do direito à educação, à terra, à liberdade religiosa). Vivemos, finalmente, numa sociedade em que os "excluídos" lutam autonomamente no campo da democracia pelos seus direitos. São lutas de idéias, de conquista da opinião pública e de leis. E isso é muito bom, e deve ser respeitado e incentivado. E, veja bem, eles não estão esperando o socialismo, ou a vitória do universalismo francês, ou o triunfo do mercado, para ter acesso à educação. Eles querem acelerar processos, cobrar dívidas históricas. Evitar tensões raciais é promover o reconhecimento dos seus direitos e incentivar a sua luta política nas formas democráticas e republicanas. E tenho certeza de que o nosso querido Caetano sabe que Mangabeira Unger tá certo. Nós precisamos de uma segunda abolição. Mas como realizá-la sem nos defrontarmos com a questão racial?
E por que acreditar que revalorizar neste momento a criação colonial do mulato é um passo para a sociedade pós-racial? Onde é que o mulato é celebrado como ideal da nação? Nas artes, na telenovela, no cinema, na publicidade? O ideal do país desde os tempos da escravidão foi, e continua profundamente internalizado em todos nós, fazer do negro um mestiço e do mestiço um branco. Nossas crianças perdem a auto-estima ao aprender a sonhar em ser, mesmo que cirurgicamente, iguais à rainha dos baixinhos. Por que todas as apresentadoras dos programas infantis foram inspirados no modelo ariano? Que ideal de raça estava por trás disso? Por que os considerados mais belos das revistas de moda, de TV e até mesmo de esportes são invariavelmente os mais germânicos? Por que somente em 2004 tivemos a Taís Araújo como protagonista de uma telenovela na rede líder de audiência? E quando voltaremos a revê-la assim? Ser mestiço, portanto, é ainda um momento de passagem da condição inferior para a raça superior. O mulato na telenovela ainda é, como regra, representação do estereótipo do bundão, do mau caráter, do bandido ou do ressentido.
É por isso que não sou mulato. Só aceito o mulato como profissão. E é assim que vivem centenas de brasileiras afro-descendentes pobres que viajam pelo mundo vendendo a beleza dos seus corpos e dos seus movimentos em shows tipo sargentelli.
Sou brasileiro, com ascendência afro-índígena-portuguesa. Mas neste momento histórico só me interessa afirmar o que fui pressionado a negar. O país ainda precisa de um choque de negritude e de indigeneidade. Para chegar a ser pós-racial precisa antes ser multirracial. Precisamos reconhecer que nossa nação é um mosaico, onde vivem filhos de africanos, de japoneses, de libaneses e de europeus, além dos indígenas. Somente assim poderemos, no futuro, realizar o mito que tanto prezamos, e vir a ser um exemplo de democracia racial. Neste momento sou orgulhosamente o meu avô e bisavô, eu sou neguinho. E amanhã posso vir a ser a minha avó, nambiquara ou pataxó.
Diante da herança colonial que criou um sistema hierárquico de castas raciais, eu sou neguinho. Diante dos articulistas dos jornais que dizem que não somos racistas, mas alertam que se me assumo como negro sou ameaça de guerra civil, eu sou neguinho. Diante do senador que elogia o seu par mulato por estar apurando a raça ao se casar com uma "linda gaúcha dos olhos azuis", eu sou neguinho. Ou diante da mídia que em suas imagens insiste em reafirmar a branquitude como ideal da nação, eu sou aquele Caetano que tanto admiro, e não aquele inexplicável mulato anticotas. Sou negro preto do Curuzu. Sou beleza pura.
*Cineasta ("Filhas do Vento" e "A Negação do Brasil")

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Roda Viva em texto integral

17/06/2008

Agência FAPESP - O Memória Roda Viva, um novo canal de pesquisa na internet, foi lançado nesta segunda-feira (16/6). O projeto tem como objeto o acervo do programa Roda Viva, da TV Cultura, e é voltado para estudantes, pesquisadores e o público em geral.

Trata-se de uma iniciativa conjunta da Fundação Padre Anchieta e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), por meio de seu Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) e do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas (Nepp). O projeto tem apoio da FAPESP por meio da modalidade de Auxílio a Pesquisa.

Inicialmente, o site reúne o texto integral de mais de 200 entrevistas com personalidades de diversas áreas, entre os quais Ayrton Senna, Dom Paulo Evaristo Arns, Drauzio Varella, Elza Soares, Emerson Fittipaldi, Fernando Henrique Cardoso, Fidel Castro, Gianfrancesco Guarnieri, Grande Otelo, Luís Carlos Prestes, Nelson Piquet, Oscar Niemeyer, Patch Adams, Paulo Autran, Pedro Almodóvar, Plínio Marcos e Telê Santana.

"O site disponibiliza o conteúdo do Roda Viva em um fantástico instrumento de pesquisa, que permite o acesso e a consulta à história do programa por qualquer pessoa que tenha acesso à internet", disse Paulo Markun, presidente da Fundação Padre Anchieta.

O objetivo do site é oferecer o texto completo das mais de 1,2 mil entrevistas feitas em 21 anos de existência do programa. Aos textos são acrescidos vídeos com cerca de dois minutos que destacam parte da entrevista concedida ao programa e verbetes, ou seja, referências explicativas de termos, nomes e citações feitas pelos entrevistados.

Um sistema de navegação simples permite que se encontre rapidamente uma determinada entrevista. Além disso, um mecanismo de busca por palavras-chave e a divisão por cinco grandes temas (Ciência, Cultura, Economia, Esportes e Política) facilita pesquisas mais específicas.

"A publicação das transcrições das entrevistas cria um registro importante na história recente, assegura sua preservação definitiva, possibilita acesso livre a todo o conteúdo e reconstrói o processo de formação da agenda pública brasileira nas duas últimas décadas, quando se deu a discussão das questões mais relevantes de nossa atualidade, bem como a sua continuidade futura", disse Carlos Vogt, secretário do Ensino Superior e coordenador do Labjor.

Memória Roda Viva: www.rodaviva.fapesp.br

terça-feira, 27 de maio de 2008

Para Marina Silva:"política sem teologia é puro negócio"

Por Leonardo Boff (22/05/2008) - A saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente representa uma pesada perda de qualidade política do governo Lula. Por qualidade política entendo a competência do governante de manter a unidade dos contrários, contrários esses, inerentes a todo convívio social e democrático, que confere dinamismo e vida à sociedade. Marina Silva representava um pólo decisivo no governo e fundamental para uma política responsável pelo futuro da vida e da integridade do Planeta: o cuidado com o ambiente inteiro e com as condições ecológicas que garantem a vida em toda sua imensa diversidade. No outro pólo estão outros, em maior número, que perseguem um projeto, que nos remete ao século XIX, de crescimento material acelerado e a todo custo, sem considerar a mutação das consciências ocorrida no Brasil e no mundo face principalmente às perigosas transformações negativas do estado da Terra, ocasionadas, em grande parte, por aquele projeto. Missão do governante é ser um homem de síntese, capaz de articular os pólos e ter a sabedoria suficiente para decisões estratégicas, mesmo difíceis, que garantam o futuro de nossa existência neste pequeno Planeta. O atual presidente mostrou essa capacidade de síntese. Mas desta vez, parece-nos, se operou desastroso desequilíbrio. Com a ausência de Marina Silva, há o risco do pensamento único e da obsessão furiosa pelo crescimento fazendo crescer nossa dívida para com a natureza e as gerações futuras.

A ex-ministra Marina Silva mantinha tenaz coerência com a missão que se propôs de introduzir a partir de seu Ministério a transversalidade do cuidado ecológico em todas as instancias do poder, no esforço de conferir uma direção inovadora e à altura dos desafios contemporâneos ao desenvolvimento sócio-ambiental sustentável. Foi vista como obstáculo ao crescimento e como empecilho à modernização. E efetivamente era e precisava se-lo. Não é possível com tudo o que sabemos da história e da experiência recente continuar com o tipo de crescimento retrógrado que visa a acumulação à custa da devastação da natureza e do aprofundamento das desigualdades sociais. Há que se estigmatizar essa modernização conservadora e socialmente criadora de tantas vitimas no campo e nas cidades. As pressões contra a ministra vindas do interior do próprio governo e do exterior, de grupos poderosos ligados à pecuária e ao agronegócio solaparam a sustentação política e a viabilidade de seu trabalho, especialmente, com referência à preservação da floresta amazônica. Retirou-se do ministério pela porta da frente, com elevado espírito público e ético, protestando lealdade e fidelidade ao presidente.

Marina Silva era uma das reservas éticas do governo, uma referência de credibilidade para o Brasil e para o mundo. Mas ética era pouco para ela. Movia-a uma inspiração espiritual, de serviço à vida e de proteção a todo o Criado. Ela me faz lembrar a frase de um dos grandes pensadores da escola de Frankfurt que foi um rigoroso marxista e materialista: Max Horkheimer. No final de sua vida escreveu um instigante livro:"Saudade do totalmente Outro". Ai, como marxista e não como cristão, diz:"uma política, sem teologia, é puro negocio". E explicava:"teologia significa aqui, a consciência de que o mundo não é a verdade absoluta, que não é o fim; teologia é a esperança de que tudo não se acabe na injustiça que tanto marca o mundo, que a injustiça não detenha a última palavra". Estimo que Marina Silva mostrou em sua vida e prática a verdade desta sentença. Por isso todos lhe somos agradecidos e devedores.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

"Ajude a Destruir o Planeta"

Nesse texto polêmico e poderoso, Otávio Leal aponta a ferida causada no planeta por quem é carnívoro. Reflita e passe adiante (ainda é tempo).

Você que está lendo este artigo deve ver com indignação todas as atrocidades e falta de respeito com que alguns pseudos seres humanos tratam o planeta e a natureza.
A destruição da Amazônia, as queimadas, a total incompetência dos chamados dirigentes ou políticos.

Centenas de árvores estão sendo destruídas nesse exato momento e como todos sabem, as árvores são responsáveis pelo oxigênio do planeta e sem elas não poderíamos viver. Quando destruímos as árvores estamos também matando os animais que vivem nelas e liberando o dióxido de carbono, acelerando o efeito estufa e conseqüentemente destruindo nosso futuro.

Porque destruímos tanto as árvores? É para criar mais moradias? Não. É para criar pastos para a criação de gado. Todas as florestas estão sendo destruídas no ritmo de meio hectare a cada 5 segundos, para que muitos comam cadáveres (carne de gado).

Quando alguém come um hambúrguer é responsável pela destruição de 5 metros quadrados de floresta tropical. As pessoas que vêem as florestas sendo destruídas e comem carne, também são responsáveis por isso, além disso todos sabemos que a falta de água será um problema tão grande que poderá haver guerras por água e também, por isso é que hoje milhares de pessoas morrem. Por falta d'água.

Você sabe quanto de água é necessário para se criar um único bezerro? O suficiente para fazer flutuar um navio médio. Uma vaca, num gole bebe até 2 litros de água. Num dia, bebe 100 litros. Para produzir 1 Quilo de carne, gastam-se 43.000 litros de água. 1 kg de tomate com 200 litros de água.

Pode se pensar no incompetente "Governo" que te diz para não lavar o carro ou não tomar banho - Isso também é importante mas para você poupar realmente água, NÃO coma bicho morto (carne). Você sabia também que a indústria que mais consome energia elétrica é a do gado?
Você se preocupa com a fome no planeta? Se preocupa que hoje 980 milhões de pessoas vivem num estado de miséria absoluta, que 70 milhões de pessoas morreram no ano passado por inanição e que isso deve piorar se não mudarmos nossos hábitos?

O mesmo acre que produz 120 quilos de carne de boi pode produzir 20.000 quilos de batata; meio quilo de carne produziria 8 quilos de cereais. Isso é a diferença entre alimentar 1 pessoa e 160 pessoas.
Um acre pode alimentar vinte vezes mais pessoas se todas fossem vegetarianas. Cerca de 70 crianças morrem de fome todos os dias e nós temos condições de mudar isso se os comedores de putrefatos (carne) diminuíssem em 10% sua dieta assassina. Isso seria suficiente para alimentar crianças, homens e mulheres que no momento em que você lê esse artigo estão morrendo de fome com dores terríveis.

Sabia ainda que a quantidade de solo arável está diminuindo numa velocidade assustadora, devido a produção de carne e isso pode até acabar com a nossa capacidade de vivermos no planeta?

Se você vai naquela coisa nojenta chamada açougue, saiba que por trás do que se compra lá, está escondida a destruição de florestas, o alimento e a água dos nossos filhos e a extinção de várias espécies.
Não pense que sua decisão não fará diferença - fará muito - as pequenas mudanças no planeta hoje, tem conseqüências gigantes a longo prazo. Divulgue esse texto. Coloque-o na Internet. Faça algo.
Pense ainda nos animais. Será justo de nossa parte dar morte violenta e cruel a animais pacíficos?

Se você acredita que eles não tem morte violenta não leia mais este artigo pois você não tem cultura para entender nada do que estou escrevendo. Vá ler a revista Caras ou assistir ao Big Brother. Se você acredita que os animais são inferiores a nós deve acreditar também que a Terra não é redonda.

Os porcos são, por exemplo, criados em total confinamento, no meio do lixo, presos, sem higiene e engordados artificialmente, inclusive recebendo hormônios e antibióticos. Quanto ao gado eles são mantidos em jaulas, sem liberdade. Mais de 80% dos abates ocorrem sem nenhum tipo de fiscalização sanitária; há pouco tempo no Rio Grande do Sul descobriu-se patas e rabos de rato em lingüiças.

Olhe nos olhos dos animais quando eles são assassinados, marretados nos abatedouros que são do 50% no Brasil ( os outros são sangrados vivos) por "homens covardes" e veja um raio de luz através do qual a vida deles olha para fora e para cima, em direção ao grande poder do nosso domínio sobre eles, e pede por amizade.

Como você pode aceitar colocar dentro de você um animal que viajou centenas de quilômetros a pé ou apertado na carreta de um caminhão (dirigido por um "homem") , sem água ou qualquer alimento. Ao chegar no local do abate ficam de 2 a 4 dias no pátio do matadouro, recebendo apenas água e sofrendo por antever o futuro...

Na hora do sacrifício, os animais são empurrados por um longo corredor apertado e ficam desesperados, horrorizados, tentam fugir, tentam lutar pela própria vida, mas no final do corredor lhe espera um "homem" que lhe golpeia com uma marreta na cabeça ou um disparo na testa com um pistola de ar comprimido o animal fica fraco, tonto, cai com os olhos abertos, mas logo é suspenso por um guindaste enquanto ele ainda se debate por liberdade saem lágrimas nos olhos quando é finalmente degolado vivo. Seus olhos ficam vazios.

Nesse ponto os "homens" usam as facas e o animal deixa de existir, para que poucos comam sua carne e para as fezes e o sangue poluírem os rios.Visite um matadouro. Pense que se os animais falassem, diriam:
- Deixem-me vivo. Parem de me matar. Olhem nos meus olhos.
Você quer então ajudar a salvar o planeta? Não quer se sentir responsável pela morte de crianças? Quer preservar as árvores e o solo?
Então mude sua alimentação. O seu poder de fazer a diferença está em suas mãos quando for no supermercado, restaurantes ou na sua cozinha. Você não precisa sair por ai e salvar a vida de alguém. Você pode fazer isso somente alterando sua alimentação e é claro tendo muito mais saúde e disposição. Quanto aos benefícios de uma dieta sem carniça (carne vermelha), leia a respeito mais já saiba de antemão que cientistas confirmam ser a carne responsável por doenças do coração, câncer no intestino, diminuição do apetite sexual e muito mais.

Obs: A Argentina ERA o maior consumidora de carne do planeta, hoje muitos não tem o que comer. O Brasil é o 4º consumidor e tem 172 milhões de cabeças de gado bovino.

terça-feira, 15 de abril de 2008

sábado, 29 de março de 2008

DEMOCRACIA PARA CUBA? QUAL?




Nesta semana, pudemos observar o deleite dos veículos midiáticos acerca da “renuncia” de Fidel. No bojo de todo esse deleite o discurso da fase de transição para uma Cuba democrática foi inevitável. E sobre esta questão não faltaram analistas de plantão como Ana Hickmann e Britto Junior (apresentadores de TV), líderes políticos, jornalistas como fizeram o espetacular casal da rede globo, Fátima Bernardes & William Bonner, entre outros, nos mais variados botequins, incluindo, evidentemente, o açougue da Casa Branca.Que democracia professam para Cuba? Seriam profetas da democracia grega, onde a maioria absoluta da população estava “legalmente”, proibida de apresentar-se como cidadã? Onde as mulheres eram tidas como uma espécie de escrava doméstica mais sofisticada do que o escravo comercializado na Ágora em Athenas? Onde a Aristocracia Eupátrida (detentores de terras e outros bens) governava a cidade em nome dos “deuses”?Ou nossos profetas do pretérito se referem à democracia aos moldes romanos, onde a maioria esmagadora dos plebeus eram explorados em nome da res publica? Onde os patrícios fundiam o público com o privado, mantendo-se no pedestal da elite senatorial? Seria um referencial a “República Democrática” de Roma essa que hoje tentam ideologizar para Cuba “pós” Fidel?Poderiam nossos profetas do pretérito argumentar que nenhuma das duas! Que a democracia que deseja Cuba (veja bem, a democracia que quer Cuba, não a Cuba que quer a democracia!) é a democracia iluminista do século XVIII. Um projeto de democracia levantado pela burguesia industrial e consolidada com uma série de avanços para as nações comprometidas com os direitos humanos de primeira à quinta geração. Ou seja, a democracia liberal, hoje, uma democracia neoliberal moderna e filha da justiça de Atena (um mito)!Vejamos mais de perto esta democracia que nossos decadentes profetas do passado insistem em determinar que Cuba careça (...) um governo do cidadão que por assim dizer se contrapõe a ditadura de Havana (...).Nossos “cientistas políticos” de botequim se regozijam com a renuncia de Fidel, tendo-a como o prelúdio de uma “nova era” para a ilha, e um novo tempo guiado pela democracia contemporânea, mas “esquecem-se” que esta tão badalada democracia é feita, historicamente de papel e que suas conquistas reformáticas superficiais, nada mais possui de concretude do que a cristalização das injustiças e do poder econômico e um grupo sob outro.Apologizam de modo inconteste a democracia do “bom homem” cidadão, que não transforma a realidade ao seu redor, mas que se adapta ao meio em que está inserido, sendo apenas um cidadão de açúcar que teme a água. Defendem a democracia que, aos moldes de Nova Iorque da década de 30, levava a justiça às classes sociais como um verdadeiro açougueiro de faca e fuzil em punho. É a mesma democracia que apresenta números mirabolantes sobre desemprego, educação, habitação, ignorando a realidade bem diante de seu nariz! Bem diante de sua redação que se faz míope diante de tudo, inclusive diante da mortandade infantil que gera renda e boas manchetes aos capachos do capital. É também a mesma democracia que ignora a maioria dos homens e mulheres como sujeitos de sua história, concentrando-os em um piquete, onde possam engordar consumindo as idéias forjadas pelos intelectuais do capital e, como verdadeiros escravos aristotélicos, possam ser úteis ao bom desenvolvimento necessário da política!Certamente, diante do processo histórico, essa democracia profetada do pretérito até o decadente presente da política ocidental é totalmente incapaz de promover, sequer, uma palha de liberdade humana diante do que fez Cuba durante estas últimas décadas. Longe de romantismos, Fidel representa uma sociedade onde a execução do poder não é uma exclusividade de um grupo social endinheirado, de uma classe burguesa preocupada em reproduzir o seu capital a todo custo e a todo vapor! Cuba nos apresenta um novo paradigma do ser... Um paradigma que as “democracias” ocidentais estão a anos-luz de distância e por isso mesmo há anos-luz de poderem entender o que se propõe o projeto socialista implementado em Cuba.Evidentemente, um projeto distante da realidade idealizada por Marx, mas um projeto singular e muito mais eficiente para a formação de homens emancipados e não cidadão de papéis preenchidos pelas canetas de ideólogos burgueses, letrados no adestramento de seres dóceis e obedientes!Cuba, não é apenas Fidel, é a sua sociedade como um todo, com criticas e sucessos. Não é um nome, bem aos moldes aristocráticos (Grécia, Roma, e hoje), é uma sociedade em busca da emancipação, que não é conduzida, absolutamente pelo fetiche idiotizante da primeira pessoa do singular!




Jean Menezes é professor de história, mestrando pela Universidade Federal da Grande Dourados e membro do Jornal Brado Informativo de Rio Preto.Contato:fafica_95@yahoo.com.br

domingo, 13 de janeiro de 2008

ESTUDOS SOBRE POLÍTICA I

BRADO INFORMATIVO
Convida a todos p/:
ESTUDOS SOBRE POLÍTICA I
Tema central: "Engajamento Político Intelectual: a importância da participação da sociedade dentro do processo de politização das massas"

De 21 a 26 de janeiro de 2008
Local: Auditório da Biblioteca Municipal de S.J. do Rio Preto/SP

Programação (21 a 25 de jan.)
Das 19:15 às 21:45
Mód. I – Seg.21/1 História, Profº Mestrando Jean Menezes UFGD/MS
Mód. II – Ter. 22/1 Sociologia, Ms. Vanessa Andrade Unesp Araraquara
Mód. III – Qua. 23/1 Economia, Doutorando Marcelo Gomes Unicamp SP
Mód. IV – Qui. 24/1 Atualidades, Profº Jorge Luis Jorge
Mód. V – Sex. 25/1 Filosofia, Doutorando Valmir Pereira Unesp Araraquara

Sáb. 26/1 – Das 9:00 às 11:30
Exibição do documentário "As doenças provocadas pelo trabalho"
Das 13:45 às 18:00 – Palestras
Prof. Jean Menezes
" A concepção de intelectuais e suas anatomias de engajamento político na sociedade ocidental"
Prof. Marcelo Gomes
"Inclusão e exclusão: a mesma face da exploração capitalista".

Para quem precisa de certificado ... 30hr R$20,00 + DVD "As doenças provocadas pelo trabalho"

Maiores informações: bradoinform@ig.com.br ou pelos fones: (17) 3218-1868 / 9713-1587

Observação: O evento é gratuito p/ toda a população.
-- "os filósofos apenas interpretaram o mundo de formas diferentes, o que importa é mudá-lo" Karl Marx